Gianni Infantino pede desculpa, mas vai continuar como presidente e reage: “A FIFA não vai tolerar mais ataques à sua integridade“
Infantino durante a cerimónia de entrega do troféu do Mundial 2026
DeFodi Images
O suíço reuniu o seu núcleo duro, incluindo quem o criticou recentemente, para um encontro em Marrocos. De lá saíram promessas de apoio mútuas e a garantia de que “serão tomadas todas as medidas necessárias para proteger e salvaguardar” a “reputação” da entidade. Entretanto, a UEFA mantém o seu boicote às competições da FIFA
O projeto de Gianni Infantino, inicialmente secreto, depois revelado nos jornais, posteriormente alvo de grandes críticas e finalmente abandonado, deixou o presidente da FIFA debaixo de fogo. A ideia de vender parte do Mundial a investidores privados acentuou a oposição da UEFA ao suíço e criou novas animosidades, vindas de Ásia e das Américas.
A rejeição ao plano chegou por parte de políticos, como o primeiro-ministro britânico ou o líder do Canadá, e de figuras do futebol, como Luís Figo. Mas a oposição também foi interna, chegando via Arsène Wenger, diretor de desenvolvimento global da FIFA, e Mattias Grafström, secretário-geral. Os reparos feitos por vários homens em teoria próximos do presidente tinham em comum a exclusão de todo o processo de desenho da revolucionária medida.
Ora, na sequência da que foi, possivelmente, a semana mais dura desde que chegou à cadeira do poder de Zurique, em 2016, Infantino promoveu um encontro para cerrar fileiras e orquestrar uma resposta. A réplica assenta em três pilares: recuperar aliados, pedir desculpa e contra-atacar, com um toque de vitimização.
Luís Figo e Infantino durante o congresso da UEFA, em 2024
A reunião teve lugar em Rabat, onde estão os escritórios da FIFA em África e, também, uma das cidades onde se está a disputar a CAN feminina. Uma das expectativas para a cimeira era, justamente, a junção de Infantino com Grafström, mas o comunicado publicado pela entidade máxima do futebol assegura que se reinstalou a confiança mútua.
“O secretário-geral e os membros da equipa de gestão da FIFA reafirmaram a sua confiança no presidente Gianni Infantino”, pode ler-se, acrescentando: “O presidente da FIFA reiterou o seu total apoio ao secretário-geral e à direção”.
Mattias Grafström é secretário-geral da FIFA
Pascal Bitz - FIFA
Como esperado, Infantino não se demitirá e mantém-se na corrida eleitoral vindoura. O próximo presidente da FIFA, com um mandato válido até 2031, será eleito num congresso, também em Marrocos, em março de 2027. Os candidatos devem chegar-se à frente até 18 de novembro, sendo preciso receber 106 dos 211 votos das federações para vencer.
OIhando já para essa campanha, Infantino enviou cartas a pedir desculpas aos elementos do conselho da FIFA e às 211 federações, fazendo referência à falta de consulta quanto ao projeto de venda da vertente comercial da entidade. “Concordou-se que não havia a intenção de excluir o Conselho da FIFA ou as federações do processo, reconhecendo-se que o processo deveria ter sido conduzido de forma diferente”, admite a FIFA no comunicado.
Para dar uma imagem da renovada união na cúpula do futebol, Gianni Infantino e Mattias Grafström assistiram, lado a lado, ao Malawi-Zâmbia, da fase de grupos da CAN feminina.
A galesa Laura McAllister é vice-presidente da UEFA
Como uma terceira parte da operação, houve um contra-ataque. “Com o projeto retirado, foi acordado que a FIFA não irá tolerar mais ataques à sua integridade, boa governança e processos e tomará as medidas necessárias para proteger e salvaguardar o seu nome e reputação”.
Zurique não exclui explorar outras formas de aumentar os seus encaixes financeiros, sublinhando que “continuará a trabalhar de perto com os parceiros relevantes” para “estudar” como se pode “apoiar o desenvolvimento do futebol” para “benefício” das federações e confedarações. Recorde-se que, segundo o “Guardian”, o Mundial 2026 bateu todos os recordes de receita, gerando lucros de€13 mil milhões.
UEFA diz que mantém boicote
Não obstante esta reação, a UEFA prolonga o seu boicote aos torneios da FIFA. À Sky News, a entidade europeia nota que o fim do protesto assentava em duas condições: a queda do projeto de Infantino e a “garantia de que tentativas semelhantes” não voltariam a suceder. Essas premissas, indica a UEFA, não foram cumpridas.
“Adicionalmente, a UEFA sublinhou que perdera a confiança na presidência de Gianni Infantino. Essa posição mantém-se. O comunicado [da FIFA] em que algumas pessoas empregues pelo presidente da FIFA e cujas carreiras dependem dele concordam com ele nada muda”, frisa a UEFA.
Na sequência de uma semana debaixo de fogo, Infantino retorna à sua agenda normal. Vai, agora, estar presente na tomada de posse do novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella.