Mais uma federação europeia contra Infantino: a Bélgica não apoia a recandidatura do presidente da FIFA
Gianni Infantino é presidente da FIFA desde 2016
Omar Marques
A Federação de Futebol da Bélgica seguiu-se à de Itália, Inglaterra, Suécia ou Escócia na oposição à presidência de Gianni Infantino da FIFA, criticando-o por falta de transparência e “explicações claras” acerca do plano para privatizar os direitos comerciais do Mundial
A Federação Belga de Futebol (RBFA) anunciou, esta segunda-feira, que não vai apoiar a candidatura de Gianni Infantino a um novo mandato na presidência da FIFA, apontando falhas de governação e exigindo transparência em processos decisórios.
Em comunicado, a RBFA afirmou esperar, em linha com a UEFA, respostas claras sobre o processo de decisão relativo ao projeto, entretanto abandonado, de criar uma empresa para gerir as receitas do Mundial e permitir a entrada de investidores privados.
A RBFA exigiu ainda "total transparência e explicações claras" sobre o cartão vermelho mostrado ao internacional norte-americano Folarin Balogun durante o Mundial disputado nos Estados Unidos.
Balogun foi expulso no encontro dos 16 avos de final frente à Bósnia-Herzegovina, mas viu a suspensão para o jogo seguinte, frente à Bélgica, ser anulada após uma intervenção do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, junto de Infantino.
"Dois meses após os acontecimentos, constatamos que as nossas perguntas permanecem sem resposta até hoje", afirmou a presidente da federação belga, Pascale Van Damme.
A dirigente solicitou, por isso, que o caso Balogun seja incluído na agenda da próxima reunião do Conselho da FIFA, marcada para 15 de outubro.
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, a acenar ao público durante a cerimónia de entrega do troféu do Mundial 2026, nos EUA
A federação belga junta-se assim a outros organismos europeus, como a Suécia, a Escócia e a Itália, que também manifestaram reservas ou retiraram o apoio ao dirigente ítalo-suíço.
Gianni Infantino, que lidera a FIFA desde 2016, confirmou no domingo a intenção de concorrer a um novo mandato nas eleições previstas para março de 2027, sendo para já o único candidato formalmente declarado.
O dirigente tem enfrentado fortes críticas de vários setores do futebol internacional devido a opções de governação marcadas pela falta de auscultação prévia, com destaque para a polémica iniciativa de canalizar as receitas das competições, entre elas o Mundial, para uma nova empresa comercial aberta a investidores privados, sem consulta prévia das federações nacionais.
Embora Infantino tenha acabado por recuar e abandonar o projeto na sequência da contestação generalizada, o retrocesso revelou-se insuficiente para apaziguar o mal-estar e encerrar o clima de crispação em redor da sua continuidade à frente dos destinos do organismo que tutela o futebol mundial.