Futebol internacional

Confirmado: Manchester City oficialmente culpado de todas as “graves violações“ com que “burlou“ as regras financeiras da Premier League

Sergio Agüero, o herói do Manchester City em 2012, a erguer o troféu da Premier League: foi o primeiro título de campeão inglês após o clube ser comprado pelo fundo do Abu Dhabi
Sergio Agüero, o herói do Manchester City em 2012, a erguer o troféu da Premier League: foi o primeiro título de campeão inglês após o clube ser comprado pelo fundo do Abu Dhabi
Shaun Botterill

A Premier League confirmou o que o “The Athletic” avançara quatro dias antes: o Manchester City é culpado de violar as regras financeiras da prova, incluindo ter “acordos comerciais fraudulentos com patrocinadores” e “esquemas de financiamento disfarçados” para apresentar “resultados financeiros distorcidos”

Uma comissão independente da Liga inglesa de futebol considerou, esta terça-feira, que o Manchester City é culpado de todas as acusações relacionadas com “graves violações” das regras financeiras da competição ao longo de nove temporadas.

O clube inglês, que se mostrou “desapontado e surpreso” com a “opinião“ da Premier League, foi acusado em fevereiro de 2023 de 115 irregularidades financeiras relativas ao período entre a temporada de 2008/09 e 2017/18.

Segundo a Premier League, o atual vice-campeão inglês “negociou acordos comerciais fraudulentos com vários dos seus patrocinadores durante o período em questão, como parte de um esquema de financiamento disfarçado”, sendo que, nesse esquema, “as empresas pagavam apenas uma parte das taxas de patrocínio, enquanto o restante era financiado pelo Abu Dhabi United Group Investment & Development Ltd (ADUG), proprietário do clube”.

Além disso, foram feitos “outros acordos fraudulentos, também financiados pelo ADUG, firmados para permitir que o clube registasse despesas operacionais menores do que as reais, bem como um acordo fraudulento com a Fordham, entidade que adquiriu os direitos de imagem dos jogadores do clube, também financiado pelo ADUG”.

Segundo a Premier, este esquema permitiu ao City “inflacionar artificialmente as receitas do clube e reduzir os seus custos em mais de 1000 milhões de euros durante o período afetado, para aparentar conformidade com as normas financeiras”.

Assim, conforme constatado pela comissão independente, o emblema no qual atuam os internacionais portugueses Rúben Dias e Matheus Nunes “apresentou demonstrações financeiras distorcidas e ocultou a verdadeira situação das suas finanças dos auditores e dos órgãos reguladores do futebol”, pelo que foi concluído esta “conduta seria para claramente burlar as regras da Premier League".

Por fim, a competição acusou o clube de cometer “múltiplas violações dos seus deveres de cooperação e de máxima boa-fé” para com o organismo durante quatro anos de investigação.

City diz-se inocente

Já o emblema do Norte de Inglaterra declarou-se “inocente das acusações feitas” e assegura ter em mão “um conjunto abrangente de provas irrefutáveis, que sustentam todas as posições relativas a este caso”.

“O processo da Premier League continua em andamento, com elementos significativos ainda por concluir. O Manchester City FC irá agora recorrer das vias legais disponíveis, com base no facto de a decisão conter erros materiais evidentes, tanto de direito como de princípio e de facto, e ser, portanto, insegura”, explicou o City.

Os ‘citizens’, que podem recorrer até 02 de outubro, indicam ainda que estão “limitados em relação ao que se pode declarar até que todos os procedimentos futuros sejam concluídos”.

Tem alguma questão? Envie um email ao jornalista: tribuna@expresso.impresa.pt