Futebol nacional

Já há critérios-base para a distribuição do dinheiro na centralização dos direitos televisivos. E também já há quem os critique

Um repórter de imagem de televisão no topo do Estádio do Dragão, no Porto
Um repórter de imagem de televisão no topo do Estádio do Dragão, no Porto
Alex Pantling

Os critérios-base foram apresentados aos clubes em Assembleia-Geral da Liga, na última sexta-feira, dando o maior peso ao elemento desportivo (classificação, pontos, contribuição para o ranking da UEFA, mas Rui Alves, presidente do Nacional da Madeira, queixa-se de que não houve hipótese de discutir livremente o tema

O mui badalado processo, cada vez mais discutido com o aproximar da época 2028/29 fixada, por lei, como a entrada em vigor da centralização dos direitos televisivos do campeonato português, tem tido pernas apressadas. A Liga enviou, em junho do ano passado e 11 meses antes do prazo-limite, o projeto de comercialização coletiva à Autoridade da Concorrência (AdC) para ser aprovado, ou seja, as regras sob as quais se deverão vender os direitos dos jogos. Logo aí, jogou em antecipação.

Aconteceu pouco tempo após o Benfica abandonar o grupo de trabalho montado pela entidade para discutir o tema, uma espécie de boicote surgido na sequência da última final da Taça de Portugal, onde a arbitragem desagradou a Rui Costa, a meias com o desagrado nunca disfarçado, em público, pelo presidente encarnado com um projeto de venda coletiva dos direitos televisivos com a justificação de que possa diminuir as receitas que o clube consegue ao comercializar sozinho os seus jogos.

Na última sexta-feira, reunidos os 33 clubes numa Assembleia-Geral extraordinária da Liga, o Benfica concomitantemente foi o único a votar contra o modelo proposta para a comercialização coletiva dos direitos televisivos. Aprovado por 90% dos clubes das duas principais divisões do futebol português, o projeto terá de ser enviado pela Liga e a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) ao Governo e à AdC até 30 de junho, para validação. Os esteios da proposta já são conhecidos.

Os representantes das equipas primodivisionárias concordaram, escreve o jornal Record esta terça-feira, com os cinco critérios que vão determinar a verba que cada uma receberá, por época, com a venda dos direitos da I Liga como um todo: 33,2% virá do fator igualitário, do qual todos receberão o mesmo; 44,2% do valor será definido desportivamente, consoante a posição final no campeonato, o seu histórico de classificações e contribuição para o ranking da UEFA; as audiências e a média de assistência no estádio determinará 17,6%; as condições proporcionadas para as transmissões televisivos serão responsáveis por 3% da verba e 1% ficará para a qualidade do relvado, da iluminação e das condições proporcionadas para o trabalho da comunicação social.

Resumindo, um terço do que cada clube receberá será igual para todos e o maior determinante de receitas com os direitos televisivos estará no que consigam fazer dentro de campo.

Benfica foi contra, Nacional absteve-se: mas criticou

Jogando em antecipação, o Benfica votou na Assembleia-Geral da Liga já tendo na mão o seu derradeiro contrato individual de comercialização de direitos televisivos, um garante de €52,3 milhões por época, em 2026/27 e 2027/28, correspondentes a uma valorização a rondar os 25% face ao acordo que antes tinham com a mesma operadora, a NOS. E votou contra. Ter assinado o maior valor de sempre para um clube português, estipulando uma bitola, nada garante, contudo, em termos de inflação do valor da comercialização coletiva, mas ajuda a entender a recusa do clube em alinhar com os pressupostos atuais - não quer receber menos do que garantiu para as próximas duas temporadas.

O único outro clube a não votar a favor da proposta foi o Nacional da Madeira, que se absteve e não demorou explicar a sua postura, criticando a ausência de diálogo acerca da proposta. “Esta reunião deveria ter permitido discutir livremente diferentes propostas ou alterações ao modelo apresentado pela Liga“, lamentou o clube, em comunicado, alegando que a forma como se convocou o encontro impediu a discussão deste tema, de forma livre e construtiva, pelas sociedades desportivas”. Antes do encontro, André Mosqueira de Amaral, diretor-executivo da Liga, explicara que o encontro serviria para a discussão e apreciação da proposta.

Também ao Record“, o presidente do clube madeirense, Rui Alves, queixou-se de que deveria ter sido permitido discutir livremente as linhas do projeto, acrescentando que lhe custa a acreditar que o presidente da Liga tenha conhecimento de um procedimento que definiu como desonestidade intelectual. O líder do Nacional criticou ainda a desigualdade da proposta“ e já era conhecida a sua vontade em propor uma alteração: que a peso do critério equitativo no dinheiro que cada clube receberá corresponda a 50% da verba ao invés dos 33,2% propostos pela Liga.

André Mosqueira do Amaral salientou, ainda antes da Assembleia-Geral de sexta-feira, que a entidade convocaria de novo os clubes, possivelmente antes do fecho desta temporada, para nova cimeira com vista ao debate da forma de distribuição do bolo total que venha a ser negociado coletivamente pela Liga de Clubes.

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