Os Jogos Olímpicos de inverno têm um problema: as medalhas não param de se partir
Breezy Johnson, campeã olímpica de esqui downhill, viu a sua medalha partir-se
China News Service
Vários atletas já viram os cobiçados objetos sofrer danos de diversa índole. Os organizadores garantem empenho na solução do caso, que pode ter origem num mecanismo colocado no fio que segura a medalha
Treinam durante anos com um objetivo. Seguem instruções, fazem sacrifícios, cumprem ordens à risca, dedicam-se, qualificam-se, derrotam os melhores dos melhores.
Depois do longo processo que conduz a uma medalha olímpica, espera-se a glória, a recompensa, o descanso. Certo? Bem, não.
Ainda há mais instruções a seguir. “Não saltem com elas, tenham cuidado!”, avisa Breezy Johnson, consciente dos riscos que os objetos de 80 milímetros de diâmetro e 10 milímetros de espessura correm. A norte-americana, ouro no esqui downhill em Milão-Cortina 2026, viu o pedaço de ouro partir-se pouco depois da cerimónia de pódio.
“Eu estava a saltar em festa quando se partiu do nada. Não está drasticamente estragada, só um pouco”, notou Johnson, de 30 anos.
As queixas de anomalias vão-se sucedendo. Quando Justus Strelow, alemão que foi bronze na estafeta mista do biatlo, estava em celebração com os companheiros, o fio da medalha rompeu-se e esta caiu. Gerou-se uma cena algo cómica, com Strelow tentando recolocar o símbolo do terceiro lugar no sítio, sem êxito.
Justus Strelow, bronze na estafesta mista do biatlo, viu a fita da medalha desprender-se
Grega Valancic/VOIGT
Os relatos semelhantes sucedem-se. Ebba Anderson, sueca do esquicross‑country, garante que a sua prata “caiu na neve e desfez-se em duas”; Alysa Liu, norte-americana da patinagem artística, mostrou como o ouro que lhe deram também perdeu o fio que o segurava; Mathis Desloges, prata no esqui de fundo, observou como o fecho da medalha não sobrevia ao abraço de triunfo da equipa francesa.
Perante as queixas, a organização dos Jogos Olímpicos de inverno já reagiu. Andrea Francisi, chefe de operações de Milão-Cortina 2026, assegurou “empenho” na resolução do tema. “Estamos plenamente conscientes da situação, vocês têm visto as imagens tal como nós. Daremos máxima atenção às medalhas. Tudo ficará perfeito, porque é algo muito importante para os atletas”, garantiu o responsável.
Há já uma suspeita quanto à possível causa. Devido a exigências de segurança, o fio da medalha tem de ter um mecanismo de libertação, concebido para se soltar automaticamente quando puxado com força, para assim prevenir estrangulamento.
O momento em que Lindsey Vonn toca numa das portas da prova de downhill, levando a uma grave queda
Os campeões adaptam-se e, perante a avalanche de problemas, já há táticas de prevenção. Danny O'Shea, campeão na patinagem artística, disse andar a “evitar saltar com a medalha posta”. Ellie Kam, a sua colega de equipa, levou a proteção mais longe: “Durmo com ela debaixo da almofada, sem lhe mexer, para a manter segura”, disse à CBS News.
As medalhas dos Jogos de inverno representam “discos de gelo”, conta a organização, feitos de duas metades, uma representando o esforço individual do atleta, a outra a rede que sustenta o êxito (família, equipa, treinadores). As medalhas de ouro pesam 500 gramas, contendo seis gramas de ouro e o resto de prata.
Já nos passados Jogos de verão, em Paris, se registaram problemas semelhantes. Houve, então, mais de 200 pedidos de troca de medalhas devido a defeitos.