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Não o piquem, porque “o avô está de volta“: aos 37 anos, Fernando Pimenta é campeão mundial de canoagem

Fernando Pimenta a fletir o bíceps após conquistar a medalha de ouro nos 1000 metros de K1 dos Mundiais de canoagem em Poznań, na Polónia
Fernando Pimenta a fletir o bíceps após conquistar a medalha de ouro nos 1000 metros de K1 dos Mundiais de canoagem em Poznań, na Polónia
Jakub Kaczmarczyk

Em K1 1000 metros, liderou de início ao fim. Fernando Pimenta ganhou o ouro nos Campeonatos do Mundo de canoagem, colecionando a sua décima medalha na prova. Aos 37 anos, tornou-se o atleta mais velho de sempre a conquistar a estar no pódio da competição. No final, ainda a arfar de cansaço, disse que “o avô está de volta” e deixou o aviso: “Quero mais, e mais, e mais.”

Não o piquem, porque “o avô está de volta“: aos 37 anos, Fernando Pimenta é campeão mundial de canoagem

Diogo Pombo

Editor de Desporto

Fernando Pimenta tem um site, tem-o há muito, mas não foi há muito tempo que deixou de estar em dia. O viciado em esculpir-se para melhorar, nascido em Ponte de Lima, venceu mais de 180 medalhas internacionais na carreira mas a sua página oficial, a sua montra de si próprio, parou de as contar em 2022. Dá para entender porquê - é um ritmo que nem a internet tem vagar para seguir.

Quem trata da sua apresentação internáutica quiçá possa atualizá-la: Fernando Pimenta conquistou o ouro nos Campeonatos do Mundo de canoagem este sábado, em Poznań, na Polónia, feito uma bala musculada a pagaiar sozinho 1000 metros em três minutos, 24 segundos e 30 centésimos. O português liderou a corrida de início ao fim, imparável nos derradeiros litros de água até para Bálint Kopasz, campeão olímpico em Tóquio e o seu némesis dos últimos anos.

O húngaro demorou mais 22 centésimos de segundo do que os 37 anos do português. Com os seus bíceps torneados em braços de veias salientes, nunca abrandando o ritmo da pagaiada, antes acelerando-o já perto da meta, Fernando Pimenta ainda arfava de cansaço quando, na doca onde o entrevistaram mal a prova acabou, reagiu à sua façanha. Estou de volta ao topo, foram as primeiras palavras que disse em inglês.

Com vírgulas constantes para ir ganhando fôlego, o limiano disse acreditar que era possível imperar no K1 1000 metros apesar de ser quase quarentão, facto ao qual lhe deu gosto aludir: O avô está de volta. Estou muito feliz, fizemos história na canoagem, sabia que íamos bater o recorde das medalhas se vencesse - e quero ganhar mais, e mais, e mais.”

Desta fome a que é impossível dar de comer se alimenta Fernando Pimenta para ter um medalheiro a rebentar pelas costuras. Na véspera desta final no Lago Malta, o português demonstrara mais uma vez como vive esfaimado por ser o melhor. Eu gosto de os ver a arder, picados. É bom sinal, dissera em relação aos adversários. Significa que vão dar o seu melhor, é o que desejo. Quero que os meus adversários na final estejam todos a 100%. E que eu também consiga estar a 101% ou 110% e dar o meu máximo.

Com este quarto título mundial nos 1000 metros de K1 o limiano, pai de dois filhos, tornou-se o mais velho da história a constar num pódio da competição, conquistado a sua décima medalha - já tinha três de cada metal precioso. A questão não é Fernando Pimenta picar os outros, é se o picam a ele.

Para já imune a aparentar quaisquer sinais de querer descansar, o português acrescenta este ouro também ao bronze que trouxe dos Jogos de Tóquio, em 2021, o primeiro metal olímpico ganho a pagaiar sozinho que terá algures lá em casa. Antes, em Londres (2012), conquistou a prata com Emanuel Silva nos 1000 metros de K2. Permitindo-nos a suspeita, a ideia de ser campeão olímpico ainda andará a cirandar pela cabeça de Fernando Pimenta.

Os próximos Jogos serão em Los Angeles, daqui por duas anos. O português aí terá 39. Perante os sinais de hoje, alguém se atreve a dizer que já será tarde para ele?

Tem alguma questão? Envie um email ao jornalista: dpombo@expresso.impresa.pt