Vasco Vilaça, o “sniper do triatlo“, está a um triz de ser campeão mundial
Triatleta Vasco Vilaça, terceiro classificado do Mundial de 2025 e quinto nos Jogos Olímpicos de Paris2024
ANTÓNIO COTRIM
Um ano depois de acabar o Mundial com a medalha de bronze, Vasco Vilaça é o líder do ranking à falta apenas da final que se realiza no domingo, em Pontevedra (Espanha). O atleta português pode ‘só´ precisa de um 5º lugar no desfecho da época para finalmente destronar Matthew Hauser, campeão em título e seu maior adversário. João Silva, antigo triatleta, crê que o “competidor nato” vai conseguir o título
O antigo triatleta, João Silva, considera que Vasco Vilaça vai “fazer história” e conquistar, no domingo, o título mundial para Portugal, destacando a sua qualidade de “sniper” para a decisiva Superfinal em Pontevedra, Espanha, onde lhe basta ser 5º classificado para garantir a conquista.
“O Vasco é um competidor nato, chamar-lhe-ia quase como um ‘sniper’ do triatlo. Ele aponta a um objetivo e não se desvia, fica bastante focado nesse objetivo, a 100%”, elogiou, em entrevista à Lusa.
Vasco Vilaça lidera o ranking mundial com 3850 pontos, com uma vantagem de 354,24 pontos sobre Matthew Hauser (3495,76), campeão em título e seu maior adversário nos últimos anos, diferença que permite ao português terminar a prova até ao quinto lugar em caso de triunfo do australiano.
À entrada do desafio decisivo, existe até a possibilidade, menos provável face à ginástica necessária da calculadora, de outro português ser campeão mundial: Ricardo Batista é terceiro, com 3082,13 pontos, só conseguindo surpreender o planeta do triatlo caso ganhe e Vilaça fique abaixo de 14º e Hauser de sétimo.
“Mantendo o tema, se calhar o Ricardo Batista é um bocadinho ‘ninja’, mais discreto, mas que quando o momento se levanta ele está sempre à altura”, comentou o antigo triatleta, que em etapas do mundial se destacou com triunfos em Yokohama, no Japão, em 2011 e 2012.
Dois portugueses no pódio antes da derradeira prova é, para João Silva, reflexo do “trabalho que tem sido feito em Portugal ao longo dos anos”, no que classifica de “percurso muito desafiante” ao qual a comunidade do triatlo tem “correspondido sempre”.
“O Vasco nesta posição, com todo o mérito, mostra que nos conseguimos nivelar com outras potências mundiais. Temos qualidade individual, mas ele não é caso único. Temos o Ricardo, o João (Nuno Batista), o Miguel (Tiago Silva)... muita malta com bons resultados e capacidade para nos dar alegrias. A comunidade nacional do triatlo está muito orgulhosa”, sublinhou.
Se em teoria a missão de Vasco Vilaça parece facilitada, na prática o desempenho do português não tem sido o melhor das etapas finais do Mundial, sendo que apenas em 2025 conseguiu o quinto lugar, em Wollongong, Austrália, que agora lhe basta, enquanto nas outras foi 23.º em 2022, 15.º em 2023 e 24.º em 2024.
“Fez o que eu faria e nos últimos meses de preparação apontou todas as fichas para esta prova. No dia da competição, tudo pode acontecer, pois o triatlo é um desporto muito dinâmico: há um furo, uma queda que pode deitar tudo a perder... De certa forma, tem de tentar proteger-se ao máximo, especialmente durante a bicicleta. E fazer aquilo que sabe. Em competição, é tentar dar o melhor e, eventualmente, não correr tantos riscos como seria expectável caso não estivesse o título mundial em jogo”, aconselhou.
A favor do compatriota, está certo de que Portugal vai fazer jogo de equipa – “a entreajuda é o nosso apanágio, queremos que todos façam o melhor possível, seja em que condições for” – pelo que, acredita, com essa genética competitiva não será preciso “grande estratégia”.