Mundial 2026

A FIFA anunciou bilhetes mais baratos para o Mundial, mas só haverá 836 disponíveis para os jogos de Portugal na fase de grupos

Adeptos portugueses no Aviva Stadium, em Dublin, quando Portugal jogou frente à Irlanda na qualificação para o Mundial 2026
Adeptos portugueses no Aviva Stadium, em Dublin, quando Portugal jogou frente à Irlanda na qualificação para o Mundial 2026
Niall Carson - PA Images

Face às críticas aos preços dos bilhetes para os jogos do Mundial 2026, determinados por um sistema de tarifa dinâmica, divulgados na última quinta-feira, a FIFA veio emendar levemente a mão e anunciou que à volta de 1000 ingressos por jogo serão vendidos a um preço fixo de 51 euros. O número equivale a menos de 2% dos acessos disponíveis para o torneio e, no caso de Portugal, a FPF só terá 836 ingressos para vender

O ruído da contestação foi tanto que tilintou os ouvidos da FIFA, descritos como fechados e impávidos às preocupações de quem pretende ir ver a sua seleção ao próximo Campeonato do Mundo. Fosse a portuguesa, um adepto teria de gastar, só em bilhetes de jogos, pelo menos 5800€. Só para a final, o ingresso mais barato (caso o compre até 13 de janeiro) é de 3568€, bastante superior aos 490€ da partida decisiva do Mundial 2022, no Catar. A crítica da Football Supporters Europe, maior associação de defesa de adeptos na bola europeia, pouco demorou: “Gianni Infantino só vê a lealdade dos adeptos como algo a ser explorado para gerar lucro.” 

A entidade que organiza o torneio, única responsável por estipular os preços dos bilhetes, também única a lucrar com as respetivas vendas, não tardou uma semana a fazer uma alteração à sua política de preços, mesmo que ligeira. Na terça-feira, anunciou a criação de uma quinta categoria de bilhetes a serem vendidos por 60 dólares, cerca de 51 euros, para cada jogo, embora cheio de nuances que encurtam o alcance barateador da nova medida.

Explicou a FIFA que esses ingressos, batizados de “entry tier”, corresponderão apenas a 10% dos bilhetes da anterior classe mais acessível que serão entregues às federações das 48 seleções participantes no torneio. Essa fatia já correspondia apenas a 8% da lotação total de cada estádio e equivalia, em média, a cerca de 8000 bilhetes por jogo. Com esta mudança, cada federação poderá vender diretamente aos adeptos nem 1000 passes ao novo preço mais barato disponível, tendo em conta que os 16 recintos que vão acolher partidas têm uma lotação entre os 60 e os 80 mil lugares. 

Aplicar a lógica ao trilho de Portugal na fase de grupos do Mundial ilustra o pouco impacto real da novidade. A seleção terá dois jogos em Houston, no Texas norte-americano, dentro de um estádio com capacidade para 72 mil pessoas, mas, face às percentagens anunciadas, só 288 bilhetes poderão ser vendidos pela Federação Portuguesa de Futebol a 51€ para cada partida. No outro encontro, marcado para o recinto de Miami onde cabem 65 mil adeptos, haverá 260 disponíveis. A conta de somar dá o resultado ínfimo da medida da FIFA: para os três encontros da seleção nacional na fase de grupos só existirão 836 ingressos para serem vendidos ao preço mais barato.

Estes novos bilhetes são destinados ao que a entidade liderada por Gianni Infantino descreve como os “loyal fans”. Por outras palavras, os que “estão mais próximos” de cada seleção, explicou a FIFA. A definição de quem são eles, exatamente, fica à responsabilidade das respetivas associações de futebol, que vão escolher “os seus próprios critérios e o processo de atribuição” dos bilhetes. No caso da FPF, existe um “Clube de Fãs” no qual os adeptos se podem registar através de uma plataforma, sendo crível esperar que os tais ‘adeptos fieis’ serão determinados por essa via.  

Na semana passada, aquando do início da terceira fase de venda de bilhetes e a primeira a fazê-lo já para jogos e estádios em concreto, a Football Supporters Europe (FSE) adjetivo de “extorsionistas” os valores praticados pela FIFA, que acusou de fazer uma “traição monumental” aos adeptos. Após o anúncio desta pequena parcela de ingressos a 51€, a associação saudou a novidade como “um passo na direção certa”, sem deixar de lembrar que a FIFA “tem um registo de anunciar ‘preços acessíveis’ que, na realidade, não estão disponíveis para a vasta maioria dos fãs”. 

Em vez de se dedicar “a jogos de Relações Públicas”, criticou Tom Greatrex, líder da FSE, a entidade liderada por Infantino, em tempos invocador de que o Mundial de 2026 será “o mais inclusivo de sempre”, deveria “fazer o que está certo” e “fixar preços razoáveis para todos os adeptos”. 

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