Depois de afirmar não querer saber da seleção do Irão, Trump disse a Infantino que “obviamente será bem-vinda“ no Mundial
Donald Trump a olhar para Gianni Infantino (e o Prémio da Paz) durante a cerimónia do sorteio da fase de grupos do Mundial de 2026, em Washington, EUA
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O líder da FIFA disse que reuniu com o presidente dos EUA e este lhe garantiu que o país está recetivo à participação da seleção do Irão no torneio, apesar da guerra em curso, contrariando uma declaração recente de Donald Trump. Os iranianos têm os três jogos da fase de grupos marcados para Los Angeles e Seattle
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, afirmou que recebeu garantias do líder norte-americano, Donald Trump, de que o Irão terá permissão para entrar nos Estados Unidos (EUA) e competir no Mundial2026 de futebol. Uma afirmação que vem contrariar declarações feitas pelo próprio líder norte-americano.
Infantino disse que se reuniu com Trump na noite de terça-feira “para discutir o progresso dos preparativos” para o torneio, que começa daqui a cerca de três meses, e recebeu garantias sobre o Irão, mesmo com a guerra em curso entre os dois países.
“Falámos sobre a situação atual no Irão e sobre o facto de a seleção iraniana se ter qualificado para participar no Campeonato do Mundo de Futebol de 2026”, disse o líder da FIFA.
O Irão classificou-se para o Mundial através da Confederação Asiática de Futebol e ficou integrado no Grupo G, com Bélgica, Nova Zelândia e Egito, tendo os três jogos sido agendados para os EUA, com dois em Los Angeles e um em Seattle.
Os EUA vão receber o torneio, em conjunto com o Canadá e o México, entre 11 de junho e 19 de julho. As autoridades iranianas sugeriram recentemente que a participação do país no Mundial está em dúvida devido à guerra.
Donald Trump, presidente dos EUA, com o troféu do Mundial em dezembro, durante a cerimónia de sorteio da fase de grupos do torneio, que aconteceu em Washington
“Durante as discussões, o Presidente Trump reiterou que a seleção iraniana é, obviamente, bem-vinda para competir no torneio nos Estados Unidos”, disse Infantino. A garantia do líder da FIFA surge uma semana após o presidente dos EUA afirmar que “realmente“ não queria saber - “não me importa“ - da presença do país no torneio.
O presidente da FIFA tem uma relação próxima com Trump, que recebeu o Prémio da Paz da organização que regula o futebol mundial, das mãos de Infantino, em dezembro.
Os adeptos do Irão já estavam proibidos de entrar nos EUA na primeira versão da proibição de viagens anunciada pela administração Trump. “Todos nós precisamos de um evento como o Campeonato do Mundo da FIFA para unir as pessoas agora mais do que nunca”, disse Infantino, acrescentando que agradece o apoio do líder dos EUA.
Em 28 de fevereiro, dia em que o território iraniano começou a ser bombardeado pelos EUA e Israel, o secretário-geral da FIFA, Mattias Grafstrom, disse que a organização iria acompanhar os desenvolvimentos da situação no Irão.
“Realizámos o sorteio da fase final em Washington, com a participação de todas as equipas, e o nosso foco é realizar um Mundial seguro, com a presença de todas as equipas“, afirmou Grafström.
“Continuaremos a comunicar com os três governos [anfitriões], como sempre fazemos em qualquer situação. Todos estarão em segurança“, sublinhou, em referência ao Canadá, EUA e México, os três organizadores do certame.