“Um espírito sem substância”, “dez homens e uma estátua”: as reações internacionais à dececionante entrada de Portugal no Mundial 2026
Cristiano Ronaldo alvo de muita críticas após a exibição frente à RD Congo
Elizabeth Kreutz/ISI Photos
Cristiano Ronaldo e Roberto Martínez são os principais visados das críticas dos jornais e televisões internacionais à estreia de Portugal, onde não foi além de um empate frente à RD Congo, falando de uma equipa “atascada“ e uma “caricatura de si própria“
Mais do que o empate, a exibição de Portugal na estreia no Mundial, frente à RD Congo, onde a seleção nacional não foi capaz de deslindar uma forma de sair da igualdade, mereceu notas negativas por parte da imprensa internacional. E, no meio de uma exibição coletiva pobre, amarrada e sem ideias, há um alvo preferencial.
“Pela terceira competição consecutiva, o perigo é que Cristiano Ronaldo esteja a conter Portugal. O empate com a RD Congo colocou em evidência as dificuldades de tentar vencer um Mundial com uma equipa de 10 homens e uma estátua. Para um dos favoritos, foi um início muito pobre”, sublinhou Richard Jolly, jornalista do britânico “Independent”, sentenciando que Portugal está “a sacrificar outro Mundial por causa do ego” do seu capitão.
O “Guardian”, menos incisivo, mantém ainda assim que “Cristiano Ronaldo foi uma figura periférica para Portugal”, enquanto na BBC as decisões de Roberto Martínez enfureceram o antigo avançado e agora comentador na rádio Chris Sutton: “Isto é embaraçoso para Roberto Martínez. Até pode funcionar, mas será que estamos todos a ver um jogo diferente?”, apontou quando, aos 83 minutos, o selecionador optou por tirar Vitinha de campo e não Cristiano Ronaldo para fazer entrar Gonçalo Ramos, dizendo mesmo que Martínez “tem medo” de substituir Ronaldo.
Na Fox Sports, Thierry Henry, que sabe uma coisa ou outra sobre marcar em Mundiais, criticou a movimentação de Cristiano Ronaldo num dos lances que Francisco Conceição ganhou na linha. O antigo avançado francês diz que Ronaldo “bloqueou um potencial passe para Bruno Fernandes”, que estaria em melhor posição para marcar.
MIGUEL A. LOPES
“Se ele tivesse corrido para a pequena área, os defesas teriam de o seguir e o Fernandes só teria de encostar”, apontou, deixando uma mensagem para o capitão português: “A equipa precisa de marcar, não tu.”
No portal The Athletic, Nick Miller fala de uma total ausência de Cristiano Ronaldo na primeira hora de encontro. “Foi um vazio, um ser teoricamente corpóreo, mas que poderia muito bem ser um sopro, um espírito sem substância”, escreveu o repórter. “Não houve sequer remates falhados, um passe terrível ou erros crassos. Nada que alguém pudesse usar para fazer uma edição e colocar nas redes sociais para gozar com ele. Nada”, apontou ainda.
No mesmo portal, Mark Carey admite que existe um “elefante em forma de Ronaldo na sala”, mas que o avançado não pode arcar com todas as culpas da exibição portuguesa, apontando o dedo à linha média da seleção nacional e da “monotonia” que mostraram ao longo do jogo: “A falta de serviço para o seu melhor marcador da história foi mais preocupante.”
Cristiano Ronaldo a clamar ao teto do estádio coberto de Houston durante o empate de Portugal contra o Congo, na estreia no Mundial 2026
Em Espanha, o diário “Marca” diz que Portugal se juntou “à lista de deceções deste Mundial”, sublinhando que a equipa “não soube gerir” o “cenário ideal” do golo aos 6 minutos: “Para mais, têm uma dívida histórica de manter Cristiano Ronaldo contra ventos e marés.”
O “El País” fala de uma equipa “atascada” com Cristiano: “De novo condicionada pela moleza do seu ponta de lança, a seleção de Roberto Martínez deixa-se enredar ante uma equipa que a empatou com um golo histórico de Wissa.”
O argentino “Clarín” sublinha a estreia “dececionante” de Portugal, a quem “faltou agressividade e verticalidade”, apesar do “domínio territorial praticamente absoluto” da seleção nacional.
“No primeiro jogo do sexto Mundial de Cristiano Ronaldo, Portugal escolheu oferecer ao mundo uma caricatura de si mesmo”, é a frase de arranque da crónica do “L’Equipe”, de França, mais um meio internacional muito duro com a exibição coletiva da seleção nacional, vista como uma das favoritas ao título mundial.