• Suécia
    18:0020 JUN
    5
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    Grupo F
  • Mundial 2026

    Num jogo que só podia dar penáltis, a fiável Suíça derrotou a Colômbia

    Os jogadores da Suíça vão festejar a passagem com Vargas, autor do penálti decisivo
    Os jogadores da Suíça vão festejar a passagem com Vargas, autor do penálti decisivo
    David Ramos

    Foram 120 minutos quase isentos de oportunidades, as quais só surgiram mesmo no prolongamento. Face ao natural 0-0, o desempate nos castigos máximos premiou os helvéticos, sinónimo de consistência recente. Defrontarão a Argentina nos quartos de final

    Num jogo que só podia dar penáltis, a fiável Suíça derrotou a Colômbia

    Pedro Barata

    Jornalista

    Não é de esperar que te façam levantar do sofá. Na verdade, a Suíça é a equipa amiga das frequências cardíacas regulares, estáveis, consistentes, sem sobressaltos. Já pensaram agradecer-lhes por isso, pela tranquilidade, a calma, a serenidade?

    Não é de esperar que te façam levantar do sofá. Também não é de esperar que sejam facilmente derrotados. Na maratona de Vancouver, minutos e minutos e minutos sem balizas, o Suíça-Colômbia foi para os penáltis. Claro que foi.

    Foram os minutos de Davinson Sánchez e do penálti falhado mais previsível deste Mundial, tal era a face de horror, de pânico, de terror do colombiano. Akanji também falhou, presenteando a bancada com a bola. O herói seria Kobel, o gigante Kobel, a parar o disparo de Cucho Hernández.

    No fim, foi Vargas contra Vargas. Ruben Vargas, atacante suíço, contra Camilo Vargas, guardião colombiano. Um duelo bloqueado tinha de concluir-se assim, entre homónimos, nomes que encaixam, não desatam. Acerto helvético, desilusão colombiana, 4-3 após o 0-0 em 120 minutos.

    Este jogo chegou a parecer um mero antecedente da decisão por penáltis, quase duas horas de futebol em espera, a aguardar pelo que se cedo pareceu inevitável, um destino óbvio e evidente para um confronto bloqueado. Houve três desempates por castigos máximos nos 16 avos de final, somente este nesta fase em que caem oito participantes e quedam oito.

    O Mundial despediu-se do Canadá com uma derradeira partida em Vancouver, um adeus aos encontros a norte ou a sul dos Estados Unidos, casa dos oito jogos que faltam para concluir o torneio. Nas horas prévias ao arranque, um duro golpe abateu-se sobre a Suíça, que se viu privada de Johan Manzambi, o jovem médio que vinha brilhando pelos helvéticos. O autor de três golos e duas assistências, lesionado, ficou a ver a ação do lado de fora. Mais um fator para impedir oscilações cardíacas abruptas.

    Os suíços festejam, os colombianos lamentam-se
    Luke Hales

    Os cafeteros depressa adquiriram protagonismo no início de tarde na Colúmbia Britânica, Colômbia na Colúmbia. Com o seu futebol de agressividade perfumada com odor a James Rodríguez, os sul-americanos circulavam com critério, sem ceder à precipitação. A Suíça é uma equipa altamente experiente, pelo que não ia facilmente no engodo, mas, aos 21', Puerta forçou Kobel a brilhar para impedir o 1-0. A questão foi que aqueles minutos trataram-se de um mero antecedente enganador do que testemunharíamos, da pouca baliza durante as largas dezenas de minutos destes oitavos de final.

    O conjunto helvético tornou-se, nos últimos anos, uma constante das fases a eliminar de Europeus e Mundiais, um crescimento assinalável face às décadas anteriores. O núcleo da equipa parece imune à passagem do tempo, com o eixo Akanji-Rodríguez-Xhaka-Freuler-Embolo a somar, entre si, 564 internacionalizações, velhos caminhantes do futebol internacional.

    Quase nunca é fácil superar os experientes suíços, gélidos, calculistas, eliminados do Mundial 2014, do Euro 2016, do Euro 2020 e do Euro 2024 sem perder em 90 minutos, sempre em prolongamento ou penáltis, cotando-se aquela grande noite de Gonçalo Ramos no Catar como a exceção. Conscientes que estes embates são mais maratonas que sprints, os helvéticos nivelaram o duelo e criaram perigo aos 30' por Rieder e aos 32' por Ndoye, com Vargas a responder.

    Nos bancos, Murat Yakin e Nestor Lorenzo vestiam, literalmente, os trajes deste confronto Europa-América do Sul, o tipo de desafio pouco frequente que dá brilho à singularidade dos Mundiais. Yakin apresentou-se de blazer por cima da t-shirt branca e óculos de analista de dados de uma multinacional de Zurique, Lorenzo foi fiel ao fato negro e à camisa bordô, como um tio pronto a contar uma anedota da sabedoria popular durante um asado.

    Xhaka, que por vezes parece mais treinador do que o próprio treinador, ele o treinador, o outro o adjunto no banco, foi ganhando protagonismo no meio-campo, ao mesmo tempo que o outro capitão canhoto, James, tinha dificuldades para ter relevância no relvado. Os suíços impuseram o seu ritmo, a sua gestão dos acontecimentos, a sua paciência, ainda que sempre dentro de um guião com escassas situações claras de golo.

    Luis Suárez não está a ter um Mundial fácil. Alternando entre a titularidade e o estatuto de suplente utilizado, teve na assistência para o golo contra o Gana, na ronda anterior, o ponto alto de um torneio escasso em inspiração. Aos 64', um lance resumiu o campeonato do sportinguista: em boa posição para rematar, à entrada da área, acertou pessimamente na bola, como se esta tivesse vida própria e não lhe obedecesse. Nem com três balizas ao lado umas das outras a finalização iria no alvo. Sairia, novamente sem marcar, aos 82', mesmo minuto em que entrou Richard Ríos, um homem leal ao seu costume de rematar sem preigo quase do meio-campo.

    A eliminatória cedo entrou em modo aguardar pelo prolongamento, isenta de riscos. Lorenzo apostou na canhota de veludo de Quintero, Yakin também foi mexendo, mas o jogo surgia amarrado, um daqueles nós que não desatavam, nem sequer ameaçavam desprender-se. Oportunidades de golo daquelas muito claras durante os 90 minutos? Bem, zero.

    Passada uma centena de minutos, um fenómeno inédito entrou em Vancouver. Houve quem tivesse dificuldade em classificá-lo, foi preciso recorrer à memória de outros relvados, de outros encontros, para nos recordarmos com precisão do nome do acontecimento. Sim, uma oportunidade de golo, clara, claríssima. Canto da esquerda, vindo de Quintero, claro, e Lucumí, imperial, a erguer-se no centro da área. Cabeceamento à trave.

    O desbloquear da lembrança pareceu nascer o desejo mútuo de ter aquela sensação de perigo. Logo a seguir, Jaminton Campaz, de longe, forçou Kobel a defesa apertada. Na resposta, Amdouni, ex-Benfica, rematou em ótima posição, para parada felina de Vargas.

    O prolongamento estava a entregar a agitação que faltava. O grande susto helvético, e chance desperdiçada cafetera, chegou aos 115'. Xhaka, o barómetro da sua seleção, protagonizou um erro quase fatal, deixando-se antecipar pelo incansável Daniel Muñoz. Campaz, isolado e com os sonhos da Colômbia todos nos pés, atirou-os por cima da barra. O lado sul-americano lembrará aquele instante como o fatal. Esta alegre equipa de amarelo chegou a brilhar neste Mundial, a parecer candidata a qualquer coisa de inédito, mas não desmontou o gelo suíço, um tipo de desafio muito peculiar que é preciso superar em torneios diversos e plurais. Na madrugada de sábado para domingo, em Kansas, há Argentina-Suíça, como em 2014. Que foi decidido no prolongamento, obviamente.

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