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Como será o jogo de Portugal com Jesus? “Muito mais objetivo e com menos pausas“

Adrien Silva a representar Portugal no Mundial de 2018, durante o jogo dos oitavos de final contra o Uruguai
Adrien Silva a representar Portugal no Mundial de 2018, durante o jogo dos oitavos de final contra o Uruguai
Jean Catuffe

Treinado durante duas épocas por Jorge Jesus no Sporting, Adrien Silva, antigo internacional português, traçou o que se pode esperar do estilo de jogo de Portugal com o novo selecionador. Uma das coisas que antevê é posses de bola menos longas

Portugal vai praticar um futebol “muito mais objetivo” sob o comando de Jorge Jesus, mas o novo selecionador nacional precisa de “algum tempo” para implementar as suas ideias, antecipou o antigo médio Adrien Silva.

“Acredito que seja um Portugal muito mais objetivo, com muito menos pausas de jogo e com bola. Não acredito em posses de bola muito compridas, mas sim com muita objetividade para terminar as jogadas”, disse à agência Lusa o antigo internacional português, que trabalhou com o técnico durante dois anos, no Sporting.

Certo de que “algumas coisas vão mudar” na seleção nacional, já a partir do jogo frente ao País de Gales, na quinta-feira, o campeão europeu em 2016 advertiu, no entanto, que será preciso algum tempo para que o técnico coloque a sua impressão digital na equipa.

“Sabemos todos que vai levar algum tempo”, ressalvou, antes de admitir que o facto de a primeira janela de jogos internacionais da nova época ser mais comprida do que o habitual pode ser “um ponto positivo” para Jesus “instalar já as suas ideias”.

“Vamos ter um selecionador mais exigente dentro e fora de campo. É uma pessoa que tem atenção a muita coisa e isso faz com que os seus grupos [de trabalho] sejam sempre muito competentes e [estejam] muito próximos de ganhar”, destacou.

Portugal recebe o País de Gales na quinta-feira, em Lisboa, em partida da primeira jornada da Liga das Nações 2026/27 que será a estreia de Jorge Jesus nas funções de selecionador nacional.

Trata-se de um adversário de boa memória, contra o qual a seleção lusa garantiu, em 2016, o apuramento para a final do Europeu de França, que conquistou frente à seleção da casa, em Paris.

Era “uma geração diferente” dos galeses, recordou Adrien Silva, que tinha “várias estrelas em grandes clubes europeus e por isso chegou tão longe”, às meias-finais.

“Hoje em dia não é a mesma coisa. Mas seja o País de Gales, seja outra seleção qualquer, se encararmos as coisas com seriedade, muito dificilmente Portugal não sairá com a vitória”, vaticinou o antigo médio, formado na Academia do Sporting.

Conhecendo "a maior parte" dos atuais jogadores, Adrien acredita, no entanto, que "nunca falta o compromisso".

"Por isso, estaremos muito próximos de o conseguir [vencer] se mantiverem isso [seriedade]. E tenho a certeza que irá acontecer, muito mais sabendo da exigência que o ‘mister’ Jorge Jesus põe sempre nos seus atletas”, vincou Silva.

Dono de 26 internacionalizações no meio-campo da ‘seleção das quinas’, o luso-francês assegurou, ainda, não estar surpreendido com a primeira convocatória de Jorge Jesus, que chamou apenas quatro jogadores que não estiveram no Mundial2026.

Muito menos com o facto de o técnico ter questionado, no dia da sua apresentação, que Portugal tivesse o melhor conjunto de médios do mundo.

“Faz parte da comunicação do ‘mister’, tentar tirar alguma pressão ou exigência mediática sobre os seus próprios jogadores. Todos sabemos do nível de cada um deles, que poderiam jogar em qualquer clube ou seleção do mundo”, contrapôs.

Por isso, acredita o médio, Jesus irá, agora, realizar “um trabalho mais em ‘off’” para conseguir “encaixar da melhor forma” jogadores como João Neves, Vitinha, Bruno Fernandes, Bernardo Silva, João Palhinha e Rúben Neves, a fim de “potenciar as características individuais” de cada um deles “em prol do coletivo”.

“Podemos ter os melhores jogadores do mundo, mas se não encaixarmos e não [os] usarmos da melhor forma coletivamente, a própria qualidade deles não realça da mesma forma. Acho que essa será a grande tarefa para o ‘mister’ Jorge Jesus, não só no meio-campo como em todos os outros setores”, analisou.

O antigo internacional português Adrien Silva, de 37 anos, cumpriu 26 internacionalizações por Portugal entre 2014 e 2018, percurso que teve como momento alto o título de campeão europeu conquistado em 2016, em França.

Nesse período, trabalhou durante duas épocas (2015/16 e 2016/17), no Sporting, com o atual selecionador português, Jorge Jesus.

Para além do Sporting, Adrien Silva representou ainda, enquanto sénior, Maccabi Haifa (Israel) e Académica, ambos por empréstimo dos ‘leões’, Leicester City (Inglaterra), Mónaco (França), Sampdoria (Itália), Al Wahda (Emirados Árabes Unidos), Rio Ave e Dubai United (Emirados Árabes Unidos), onde encerrou a carreira no ano passado.

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