Portugal

Há 18 anos que Ronaldo não passava um jogo inteiro, sem ser a feijões, no banco de suplentes de Portugal

Cristiano Ronaldo no banco de suplentes em Oslo, onde a seleção nacional foi ganhar à Noruega para a Liga das Nações
Cristiano Ronaldo no banco de suplentes em Oslo, onde a seleção nacional foi ganhar à Noruega para a Liga das Nações
PAULO NOVAIS

Cristiano assistiu à vitória (1-2) de Portugal em Oslo, contra a Noruega, a partir do banco de suplentes. Bombardeado com perguntas acerca disso, Jorge Jesus justificou que achou não ser o jogo adequado para o capitão entrar. Há pouco mais de dois anos, ainda com Roberto Martínez, que Ronaldo não era suplente, mas desde o Euro 2008 que não via de fora os 90 minutos de um jogo oficial por opção de um treinador

Há 18 anos que Ronaldo não passava um jogo inteiro, sem ser a feijões, no banco de suplentes de Portugal

Diogo Pombo

Editor de Desporto

Contando desde o tal jogo na Suíça, contra a Suíça, dava para um bebé vir ao mundo, apalpar a vida em criança, lidar com as descobertas da adolescência e tirar a carta de condução. Quando Portugal perdeu, por 0-2, no Europeu de 2008, um dos suplentes não utilizados foi Cristiano Ronaldo, deixado no banco por Luiz Felipe Scolari como muitos outros habituais titulares. Havia uma razão: era o terceiro e último jogo da fase de grupos, Portugal já estava apurado, o treinador quis dar descanso aos nomes com mais minutos.

Aconteceu há 18 anos, o então ainda não capitão da seleção tinha 23. Essa tinha sido a última vez que um selecionador ousara sentar Cristiano no banco e deixá-lo lá sentado durante toda a duração de uma partida oficial, portanto a sério, com algo realmente em jogo.

Aconteceu de novo no domingo por vontade de Jorge Jesus. Portugal ganhou em Oslo, na complicada casa da desafiante Noruega de Haaland, Ødegaard, Nusa e Schjelderup, num jogo que o deixou em posição privilegiada no confronto direto com o provável maior adversário que terá de superar para chegar à fase a eliminar da Liga das Nações. “Eu estava a pensar metê-lo, talvez meia-hora“, explicou o treinador logo na flash interview da “RTP“, em resposta a uma das muitas e previsíveis questões sobre a sua decisão, que às tantas pareciam mais relevantes do que o resultado e a prestação de Portugal. “Mas depois“, prosseguiu, “o jogo foi ditando outras coisas, achei que não era o momento para o meter“.

A partida com a Noruega teve um ritmo alto, pautado pela pressão alta de ambas as equipas na saída de bola do adversário, capítulo no qual Gonçalo Ramos, o titular em vez de Cristiano, participou ativamente. “Ainda há mais dois jogos. Não foi por motivos físicos, porque ele está em condições de jogar o tempo que eu quisesse. Mas não achei que fosse o momento ideal para ele entrar, precisava de um jogador com outras características“, explicou Jesus, revelando maior estim pelas necessidades da seleção.

A segunda de apenas três vezes que Ronaldo viu um jogo inteiro de Portugal a partir do banco — em Oslo ainda se levantou para aquecer durante uns minutos — aconteceu no Jamor, em 2024, frente à Croácia, num amigável que contava para nada além de preparar o Europeu. O selecionador ainda era Roberto Martínez, sempre muito elogioso para com o capitão e a quem Cristiano, já por duas vezes, agradeceu publicamente pelo trabalho feito após a sua saída do cargo.

Não sucedeu o mesmo com Fernando Santos, antecessor que muito o elogiou durante a sua vigência e com quem conquistou o Euro 2016, mas decidiu deixá-lo no banco nos seus derradeiros dois jogos com Portugal, no Mundial do Catar, lançando-o em ambos durante a segunda parte. Nas 234 internacionalizações que soma aos 41 anos, Cristiano só foi suplente utilizado em 16 partidas.

Tem alguma questão? Envie um email ao jornalista: dpombo@expresso.impresa.pt