Portugal

Entre o “trabalho do mister” e as “ideias do mister”, os jogadores de Portugal uniram-se no elogio a Jesus

Vitinha a celebrar com Gonçalo Ramos o seu golo (o primeiro pela seleção) marcado à Dinamarca
Vitinha a celebrar com Gonçalo Ramos o seu golo (o primeiro pela seleção) marcado à Dinamarca
NurPhoto

Vitinha, Gonçalo Ramos e Francisco Trincão falaram sintonizados na flash interview da “RTP” após a vitória (2-4) em Copenhaga, contra a Dinamarca, numa clara linha de intervenção: os três elogiaram o trabalho de Jorge Jesus. E nenhum mencionou Cristiano Ronaldo

Entre o “trabalho do mister” e as “ideias do mister”, os jogadores de Portugal uniram-se no elogio a Jesus

Diogo Pombo

Editor de Desporto

No meio do psicodrama, hora e meia pincelada por arte ofensiva. Podia ser descrita tão-só como atacante, afinal Portugal atacou bastante ao fim de dias seguidos de polémica, mas a seleção, posta a jogar desta forma e sintonizando assim o talento dos seus jogadores chega a ser ofensiva tal a pujança que demonstra. “É o conteúdo da exibição”, enalteceu Vitinha, “foi a melhor até agora, fizemos um excelente jogo”. Pequeno em tamanho mas gigante no futebol, o médio foi o primeiro a falar e deu o mote.

Começou com “trabalho do mister” quando lhe perguntaram, para início de conversa, qual a razão para a vitória (2-4) na Dinamarca ter mostrado, de novo, melhorias de um jogo para o jogo. Quase da mesma altura da bandeirola de canto, na qual se apoiou na esquina do campo, quando festejou o golo marcado com o alto (1,72m) da sua cabeça, Vitinha foi explícito: “Quanto mais tempo temos com o mister mais vamos assimilando as ideias, as dinâmicas, demos um passo em frente no que toca às ofensivas. O trabalho do mister começa a surtir efeito, hoje foi demasiado claro.”

De rédea solta no relvado do Parken, a jogar de forma mais aproximada ao 8 generoso em raio de ação que Jorge Jesus o vê ser, Vitinha vincou o “excelente jogo”, mais ainda “o passo em frente” dado pela equipa “nas dinâmicas ofensivas”. Soltos com bola, sabedores dos espaços a ocupar no ataque, livres para se juntarem em combinações, o estilo agrada a Gonçalo Ramos. “Estamos a melhorar, é todo um processo.”

Mais claro foi o avançado, como o ex-colega do PSG, a justificar essas melhorias: “Acima de tudo o novo treinador ajuda muito, temos ideias mais claras, sabemos exatamente onde cada colega está, tanto a defender como atacar.” Convergindo na vénia ao treinador, mais um a sorrir com palavras, Ramos não escondeu o seu agrado pela forma como Portugal pressiona na área do adversário: “Gosto muito de jogar assim, favorece muito a forma como jogo, temos recuperado muitas bolas em zonas de perigo.”

Autor de um golo à Romário, com o bico da chuteira — no seu caso, da esquerda, do pé menos forte —, o homem da camisola 9, titular pelo segundo jogo oficial consecutivo como não acontecia desde o Mundial do Catar, disse que “o mister tem muito por onde escolher”. Na segunda parte escolheu lançar Francisco Trincão e o bigode. Em troca, recebeu mais elogios para reforçar o alinhamento dos jogadores na aparição diante de jornalistas após a debandada de Cristiano Ronaldo, mencionado por ninguém.

“É sempre difícil, não quero estar a falar da situação, tenho respeito por toda a gente, só quero falar do jogo”, disse o jogador do Al-Ahli, hoje na Arábia Saudita, menos insistente na tecla embora sem a esquecer: “Já vimos algumas ideias do mister, criámos bastante oportunidades.”

Mais sucinto, o canhoto realçou o “jogo bastante bom”, sublinhou que “quem entrou ajudou e acrescentou” e mostrou-se contente por a seleção ter criado “bastante” no ataque — “fazer quatro golos é sempre ótimo”.

Não se ouviu Cristiano, nem Ronaldo, da boca destes jogadores ou do visado pelos tantos elogios que deram o alinhamento à comunicação dos jogadores. Só Rafael Leão, já na zona mista do estádio, abordou ao de leve: disse que “ele em casa de certeza que está contente pela vitória“ e admitiu ter “o Cris como ídolo de infância” quando lhe perguntaram pela camisola 7 que vestiu.

Na entrevista rápida da “RTP” ou na conferência de imprensa, Jorge Jesus evitou pronunciar o nome do capitão da seleção nacional que foi embora de Copenhaga na véspera. A bola rolou, Portugal ganhou, os jogadores sorriram por estarem com a ideias do “mister”.

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