Sporting

Do osso zigomático de Quaresma ao joelho de Pote, o Sporting está, outra vez, com uma praga de lesões

Eduardo Quaresma a ser assistido durante o Sporting-Vitória das meias-finais da Taça da Liga
Eduardo Quaresma a ser assistido durante o Sporting-Vitória das meias-finais da Taça da Liga
PAULO NOVAIS

Entre pancadas fortuitas e azaradas como a que levou Eduardo Quaresma a ser hospitalizado, a problemas musculares que afetam Pedro Gonçalves, Debast e agora também Ioannidis, os leões têm sete jogadores lesionados. O lastro acontece um ano depois e mais ou menos no mesmo período em que, na época passada, Rui Borges chegou a ter de lidar com 11 ausentes devido a problemas físicos

No olho da má fortuna, Rui Borges soube ter um sorriso condimentado com leveza. “Ainda ontem, no quadro da sala dos treinadores, pusemos um onze para o jogo e estavam onze jogadores de fora”, disse, embalado por bom-humor, “e a equipa que estava de fora era a campeã nacional, eram as soluções iniciais”. A constatação nunca seria atual, peca por excesso, vem de há quase um ano, quando o treinador do Sporting era obrigado, em fevereiro, a responder sobre mazelas, boletins clínicos e jogadores ‘no estaleiro’, dito em futebolês. 

Chegou ao ponto de nos seus primeiros 13 jogos nos leões o técnico ter sido obrigado a realizar 11 substituições devido a lesões, uma sina que afetou a equipa durante os seus meses inaugurais no cargo. “São algo que não controlo”, chegou então a lamentar, forçado a especializar-se no tema, tal foi a razia que afetou o Sporting que por isso titubeou, mas não caiu, no caminho rumo ao bicampeonato e à conquista da Taça de Portugal. Ao contrário do visto na disputa de outro caneco, esta terça-feira. 

Perdida a meia-final da Taça da Liga contra o Vitória com dois golos sofridos nos descontos, será demasiado, e quase um exercício de extrapolação, atribuir a derrota a outro lastro de lesões que, volvido um ano, está a afetar o Sporting. Mas, como peças de dominó afiladas na vertical, as consequências dos problemas físicos dos jogadores foram surgindo: aos 24 minutos, Fotis Ioannidis saiu a queixar-se de um pé, sendo substituído por Alisson, e, aos 67’, após um feio choque de cabeças, Eduardo Quaresma foi levado de maca para o hospital e Rômulo Júnior entrou para o seu lugar.

No caso do grego, um avançado improvisado a atacante para arrancar de uma ala, os leões ficaram sem um jogador com golo, capaz de ligar ideias com os companheiros, segurar a bola e jogar de costas para a baliza, para terem um acelerador cujo talvez maior carência é tomar a decisão certa para dar sequência à jogada. 

Sem Quaresma, e sem mais defesas centrais no banco, teve ação o brasileiro com residência na equipa B do Sporting onde nem sequer é por lá titular, lançado às feras que o aproveitaram: o seu desnorte a posicionar-se e a vigiar a marcação foram visíveis no primeiro golo do Vitória, após o qual até Iván Fresneda lhe pareceu dar uma descompostura.

Sete lesionados

As situações foram empurradas por circunstâncias vindas de trás: Alisson entrou em campo e já lá estava Flávio Gonçalves, atacante também da equipa B, em parte porque Pedro Gonçalves, titular se livre de maleitas, está lesionado no joelho, magoado como Geovanny Quenda, a lidar com uma fratura num osso metatarso do pé; no centro da defesa as culpas não moram só em aleijões, não estivesse Ousmane Diomande com a sua Costa do Marfim na Taça das Nações Africanas (CAN) e Gonçalo Inácio suspenso por ter sido expulso na partida anterior e a mazela que afeta Zeno Debast não seria influente. 

O jogo contra o Vitória foi o 17º que o central belga falhou desde 22 de outubro, ele um pedaço da justificação que vem da sobrelotação do departamento médico do Sporting que causa a míngua de números em campo. Rui Borges começou a meia-finai da Taça da Liga com Matheus Reis a fazer companhia a Quaresma no eixo da defesa, sendo o brasileiro, de preferência, um lateral, com a carreira no Sporting muito preenchida a ser central, mas quase sempre numa linha de três, não de quatro. A sua presença e a dupla na defesa com nula experimentação terá sido uma das razões para os vimaranenses pressionaram alto a saída de bola dos leões durante todo o encontro.

Eliminado da hipótese de chegar à final da prova, Rui Borges lamentou o calvário que resgata memórias da época passada. “O Sporting é um caso de estudo, saímos daqui com mais duas lesões. Deixa-me bastante triste, tem-nos acontecido de tudo”, queixou-se o treinador, um ano depois, em moldes semelhantes. A equipa tem hoje sete lesionados, Ioannidis e Quaresma juntaram-se a Pote, Quenda, Debast, Ricardo Mangas e Nuno Santos, este último ausente há 17 meses devido a um complicado problema no joelho. E só há bem pouco tempo Daniel Bragança voltou a jogar na equipa B, refeito de uma lesão, tendo já estado no banco contra o Vitória.

Zeno Debast não joga desde 22 de outubro, quando o Sporting defrontou o Marselha para a Liga dos Campeões
SOPA Images

A coincidência destes problemas com a CAN acresceu de peso as ausências, ao levar para longe dois jogadores com poiso regular no onze, Diomande e Geny Catamo - o atacante regressa esta semana, depois da eliminação de Moçambique da prova, contra a Nigéria. “Custa” a Rui Borges trabalhar com tantas lesões, mas isso “jamais servirá de desculpa”, garantiu o treinador, forçado a ter de responder, a cada conferência de imprensa, a perguntas sobre a evolução do estado clínico de jogadores. Um ano depois, regressou ao mesmo fado.

A época passada, por estes meses, o técnico falava em “jogadores aleijados”, era enigmático a situar que parte do corpo, ao certo, arreliava Viktor Gyökeres e tão-pouco revelava o que de facto se passava com Pedro Gonçalves, recaído na lesão muscular que o apoquentava. A mais recente preocupação é com Eduardo Quaresma, chocado com aparato contra Samu, do Vitória, tendo fraturado o osso zigomático do maxilar esquerdo, noticiou “ABola”. Passou a noite no hospital. 

E o Sporting, aos poucos, roça “o redline”, foi o próprio treinador a dar conta do “cansaço acumulado” que se sente “na energia da equipa”. Não terá a final da Taça da Liga, mas vêm aí os últimos dois jogos da fase regular da Champions, competição maior onde, dependendo da classificação, os leões ainda poderão ter mais dois jogos caso fiquem em lugares de play-off. “Em termos de lesões é inacreditável o que nos tem acontecido”, reforçou Rui Borges, desamigo de pensos rápidos que uma eventual ida às compras possa dar: “Não podemos ir sempre ao mercado só porque temos lesões, porque depois temos 40 jogadores para treinar.” 

Terá então de esperar até que o quadro mostre mais nomes do lado dos aptos para jogar.

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