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A “fúria“ do Sporting e produziu “uma das reviravoltas mais assombrosas“ da Champions: como os jornais lá foram reagiram ao feito dos leões

Pedro Gonçalves a celebrar o golo que marcou ao Bodø/Glimt: o Sporting venceu o jogo da 2ª mão por 5-0
Pedro Gonçalves a celebrar o golo que marcou ao Bodø/Glimt: o Sporting venceu o jogo da 2ª mão por 5-0
SOPA Images

A reviravolta do Sporting contra o Bodø/Glimt espalhou‑se por Madrid, Londres e Oslo, onde a imprensa falou em “remontada de época”, “astonishing turnaround” e até num penálti que “acerta primeiro na barriga”. Foi uma noite europeia que obrigou metade do continente a escrever sobre a história dos leões

A noite de terça-feira em Alvalade não foi apenas uma reviravolta, foi uma reescrita coletiva. Em Espanha, Inglaterra e Noruega, cada jornal descreveu o 5–0 do Sporting ao Bodø/Glimt com a sua própria gramática emocional, mas todos convergem na mesma ideia: o que parecia improvável tornou‑se inevitável assim que a bola começou a rolar.

A derrota por 3–0, na Noruega, foi amplamente noticiada fora de Portugal, quase sempre com o mesmo tom: choque perante a superioridade do Bodø/Glimt e perplexidade com a incapacidade do Sporting.

A imprensa europeia destacou o “baile” sofrido pelos leões, com jornais espanhóis e italianos a sublinharem a intensidade e organização dos noruegueses. Várias manchetes descreveram o Sporting como “impotente” e o Bodø como “sensação da Champions”. Mas a goleada de ontem, em Alvalade, por 5–0, não só reverteu a eliminatória como a transformou num fenómeno mediático. A imprensa internacional, que antes elogiara o Bodø/Glimt, agora destaca a metamorfose leonina.

O El País abriu a crónica com uma imagem que parece saída de um romance: “A Cinderela ártica derrete‑se em Lisboa.” O jornal descreveu o Sporting como uma equipa em erupção, afirmando que “o Sporting soltou‑se com uma fúria que o Bodø/Glimt não conseguiu conter”. Em Inglaterra, o The Guardian não poupou palavras: “O Sporting produziu uma das reviravoltas mais assombrosas da memória recente da Champions.” E sublinhou que o Bodø/Glimt “foi arrastado por uma onda de intensidade que não conseguiu igualar.” O jornal inglês resume a noite com uma imagem: “Alvalade entrou em erupção à medida que os golos continuavam a surgir.”

Voltando aqui ao lado, o jornal Marca escreveu que “O Sporting assinou um festão monumental” e que “o Bodø/Glimt saiu sacudido de Lisboa.” Mas foi o AS que captou melhor a escala do que aconteceu ao escrever: O jogo de Lisboa ficará para a história como um exemplo clássico de reviravolta. Descreveu o jogo como “um duelo descomunal” e acrescentou que “a equipa portuguesa assinou uma noite histórica em Lisboa.”

Noruegueses e o penálti como epicentro da eliminação

Mas é na Noruega que o tom muda de registo. No VG, a cobertura oscilava entre orgulho e autópsia.

Num dos textos lê‑se “A Europa do futebol celebra o conto de fadas do Glimt: Que história!”, mas logo a seguir surge a frustração sobre o penálti assinalado que levou ao empate da eliminatória e respetivo prolongamento. Aquele penálti tornou‑se o epicentro emocional da eliminação. O defesa do Bodø/Glimt não escondeu a incredulidade: “Acerta‑me primeiro na barriga”, disse, ainda a tentar perceber como o lance tinha sido transformado em castigo máximo.

O tablóide norueguês descreve o momento com precisão quase cinematográfica: “Ele abana a cabeça quando vê o lance outra vez” e realça que “os jogadores do Glimt percebem pouco da decisão.” O texto acrescenta que “as reações após o jogo foram marcadas pela frustração”. A sensação de injustiça tornou‑se parte da narrativa, tão forte quanto o próprio resultado.

Depois de meses a viver um conto de fadas europeu, o Glimt caiu no momento em que acreditava ter feito tudo bem. O penálti foi o símbolo de uma noite que lhes escapou das mãos no instante em que pensavam ter ainda tudo controlado e o Bodø/Glimt, que na primeira mão parecia um laboratório perfeito de futebol moderno, saiu de Lisboa como personagem secundária, enquanto o Sporting, que muitos tinham dado como morto, escreveu uma noite grande, como se pode ler nos jornais.

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