Nuno Borges deu a volta ao forno parisiense para ser o primeiro português a repetir a 3ª ronda de Roland-Garros
Tal como em 2025, Nuno Borges está na terceira ronda de Roland-Garros
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Após uma má entrada no embate contraMiomir Kecmanovic, o maiato recompôs-se e triunfou por 3-6, 6-2, 6-1 e 6-2. Nuno Borges iguala a prestação de 2025, até agora a sua melhor no major francês, tornando-se o primeiro tenista nacional a chegar mais do que uma vez à 3ª ronda do torneio. No caminho para os oitavos de final terá como adversário Andrey Rublev
Não é descabido dizer que temos assistido a duas versões de Nuno Borges. O Nuno Borges dos Grand Slams, sólido, consistente, competitivo, e o Nuno Borges das outras ocasiões, o qual, nos últimos meses, tem estado abaixo do nível que pode e sabe.
Note-se que, na presente época, o melhor tenista português da atualidade apenas ganhou dois encontros no mesmo torneio em dois torneios, Hong Kong e Barcelona, contando-se vários desaires face a adversários menos cotados. Não raras vezes, o homem da Maia tem expressado a sua frustração nesses torneios longe dos holofotes dos majors.
Em contraste, o Borges das quatro maiores competições da bola amarela pouco ou nada tem desiludido. Vai numa série de sete majors consecutivos a vencer pelo menos um encontro no quadro principal, atingindo a terceira eliminatória em seis Grand Slams ao longo desta sequência. Para não alterar a tendência, Roland-Garros 2026 é mais um caso desta bipolaridade.
Derrotado o argentino Etcheverry no embate inicial, Borges teve, na segunda ronda, Miomir Kecmanovic do outro lado da rede. Numa prestação em crescendo ao longo de duas horas e 14 minutos, o 51º do ranking ATP superou o 48.º por 3-6, 6-2, 6-1 e 6-2.
O calor em Paris está a marcar a edição 2026 de Roland-Garros
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No court 12 do complexo da capital francesa, o duelo disputou-se debaixo da canícula de Paris, sempre acima dos 30 graus. Borges, de calção azul, camisola azul e chapéu azul, arrancou errático, pouco confiante, passivo.
O português foi quebrado na primeira vez que serviu. Ao longo do primeiro parcial teve sempre muitas dificuldades no seu saque, vencendo apenas 53% dos pontos em que tinha a bola de saída e enfrentando quatro pontos de break, contra zero a seu favor.
O arranque do segundo set não foi muito promissor, com o sérvio a ter logo um ponto para quebrar o serviço do mais velho dos tenistas. Não obstante, Nuno aguentou, foi dando sinais de lidar melhor com o calor, de ter mais resistência, de gerir melhor os intercâmbios de golpes. Kecmanovic, outrora 27º da hierarquia, cedeu pela primeira vez o seu serviço com 2-1, na mesma altura em que Borges se mostrava mais estável quando tinha a responsabilidade. Quebrando o serviço do balcânico novamente, o maiato igualou em parciais a eliminatória.
Gaël Monfils fez o seu último jogo em Roland-Garros, aos 39 anos: foi o 17º que se estendeu a cinco sets
Com 1-1 no marcador do pequeno court, a diferença física foi-se acentuando. Kecmanovic até vinha de vencer um challenger em Valência, mas previamente a isso apresentava uma forma longe da ideal. Galvanizado, Borges rapidamente quebrou o serviço alheio e manteve-se adiante até ao fim do confronto.
Sempre com o calor como protagonista, Borges ganhou jogos de serviço de Kecmanovic em quatro de cinco tentativas seguidas. Foi o mote para vencer e confirmar a passagem.
É a primeira vez que um português chega à terceira ronda de Roland-Garros em mais do que uma ocasião. Para igualar os seus melhores registos em majors, as quartas rondas na Austrália e no US Open em 2024, haverá um adversário de alto nível pela frente. Será Andrey Rublev, 13.º do ranking ATP.