Tribuna 12:45

Esta Taça da Liga não se vende. E ainda bem

Jogadores do Vitória festejam triunfo na Taça da Liga com os seus adeptos, o maior capital de um clube
Eurasia Sport Images

Não acredito que as imagens dos milhares de adeptos do Vitória Sport Club girando energicamente seus cachecóis negros e brancos no ar em pleno Municipal de Leiria tenham passado em muitos outlets internacionais. Nem sequer a festa da chegada da equipa a Guimarães, Largo do Toural apinhado de gente sentindo orgulho pelo clube local num país dominado por três emblemas sitos nas duas principais urbes do país.

Azar o deles, digo eu.

Num país vivendo um processo de centralização em curso (estará?), alguns cartolas do futebol português terão considerado a final da Taça da Liga, entre Vitória e SC Braga, uma hecatombe sem nome. Nada mais errado. A final entre as duas potências minhotas, território de gente briosa da sua origem, deve ser vista como um fim: será isto o futebol português se, um dia, a centralização correr bem. Será isto o futebol português se os 93% de adeptos que torcem pelos três grandes, números da Liga, deixarem de ser 93% para se distribuírem um pouco mais pelo território, pelo sentimento de pertença a algo mais próximo e não apenas a uma entidade gigante com sede social a centenas de quilómetros. Será isto, esta bela festa de quem chora pelo inaudito, de quem se sente de peito feito para bater FC Porto, Sporting e Benfica e ir em busca da felicidade.

O Minho, pelo seu tecido social, é jurisdição tentadora para quem quer criar esse sentimento. O Vitória, diga-se, sempre o teve e há por isso uma certa justiça poética no triunfo, mesmo que os vimaranenses pareçam por vezes especialistas em desbaratar esse imenso capital humano que dispõem nas ruas, avenidas e becos que raiam a partir do D. Afonso Henriques. O SC Braga está a construí-lo: crianças nascidas na cidade nos últimos vinte anos terão algo mais a que se agarrar face a outras gerações.

É claro que isso pouco diz a quem, no Oriente, distribui o seu infinito dinheiro por uns quantos campeonatos mais apetitosos a nível mediático. Nunca entenderão as nuances regionais, as subtilezas históricas. Nunca vão perceber porque é que Iñaki Williams disse, e bem, que jogar a Supertaça espanhola na Arábia Saudita “é uma merda”, porque nunca vão compreender a mística do Athletic Bilbao, o peso que os seus adeptos têm para o clube. Nunca conseguirão alcançar o porquê dos adeptos do Marselha terem boicotado a ida ao Kuwait, onde a sua equipa jogou a Supertaça francesa com o PSG, que tampouco foi capaz de vender pacotes especiais para os seus aficionados viajarem até ao país do Médio Oriente. Os jogos aconteceram, por dinheiro, em cenários tristes e sem alma. Querem mesmo comparar isso com o que aconteceu no sábado em Leiria?

Reinaldo Teixeira, presidente da Taça da Liga, reconheceu este fim de semana que não há qualquer convite do estrangeiro para albergar a Taça da Liga. Está também na hora do futebol português se organizar com o que tem em mãos, de forma palpável, e não com desejos meramente fantasiosos. E, aqui entre nós, ainda bem que não há qualquer convite vindo de uma latitude que desconhece o futebol português e que apenas o faria por capricho. Diz o líder da Liga que há muitos municípios nacionais interessados na competição e é sob esse pressuposto que o futebol português deve agir: antes de tudo, nomeadamente de ambições que não têm qualquer conexão com a realidade, trabalhar o seu produto internamente.

A final da Taça da Liga, não tendo qualquer um dos grandes, ganhou uma importância desmedida para quem, dentro da classe média, está menos habituado a ganhar. Deu-lhe peso histórico e emocional. Em Riade isso nada vale. Em Leiria, em Aveiro, em Coimbra, no Algarve, em Braga ou Guimarães, poderá valer muito. Em campo, o Vitória-SC Braga foi um dos melhores jogos da época, com golos, oportunidades para os dois lados, incerteza e muito drama. Para uma cidade, foi história, para outra, desilusão - e também é de desilusões que se cria lastro, memórias. Não é esta a melhor forma - ou melhor, a única forma - de vender o produto, seja para consumo interno ou, mais tarde, lá para fora?

O que se passou

Francesco Farioli renovou com o FC Porto depois de uma histórica 1.ª volta - estão aqui todos os dados de interesse da primeira metade da I Liga.

Ruben Amorim saiu, mas o Manchester United não se endireita: foi eliminado da Taça de Inglaterra.

O Barcelona bateu o Real Madrid na final da Supertaça espanhola.

Com surpresa, Simon Yates, vencedor do Giro em 2025, anunciou o adeus ao ciclismo.

Zona mista

Portugal é candidato a ganhar o Campeonato do Mundo. Assumimo-lo sem qualquer tipo de preconceito

Pedro Proença reconhecendo, finalmente, uma evidência: há muito que Portugal tem matéria prima para ser um dos favoritos num Mundial, por isso mais vale ter a hombridade de o dizer

O que aí vem

Segunda-feira, 12
⚽ Na Arábia Saudita, Rúben Neves e João Cancelo contra Cristiano Ronaldo e João Félix: Al Hilal-Al Nassr (17h30, Sport TV1)
⚽ Na Taça de França, um encontro entre vizinhos: Paris Saint-Germain-Paris FC (20h10, Sport TV3)
🎾 ATP 250 Auckland (22h30, Sport TV2)

Terça-feira, 13
⚽ Na Taça do Rei, o Deportivo recebe o Atlético Madrid (20h, Sport TV2) e na Taça da Liga inglesa o Manchester City joga em casa do Newcastle nas meias-finais (20h, Sport TV1)
🎾 ATP 250 Adelaide (8h, Sport TV7)

Quarta-feira, 14
⚽ Dia de clássico na Taça de Portugal: FC Porto-Benfica (20h45, RTP1). Veja também o Fafe-SC Braga (18h45, Sport TV2)
⚽ Meias-finais da CAN: Senegal-Egito (17h, Sport TV7) e Nigéria-Marrocos (20h, Sport TV7)
⚽ Taça da Liga inglesa: Chelsea-Arsenal (20h, Sport TV3)

Quinta-feira, 15
⚽ Taça do Rei: Racing Santander-Barcelona (20h, Sport TV3)

Sexta-feira, 16
⚽ Regressa a I Liga: Sporting-Casa Pia (20h15, Sport TV1)
🤾‍♂️ Portugal estreia-se no Europeu de andebol frente à Roménia (17h, RTP2)

Sábado, 17
⚽ I Liga: Rio Ave-Benfica (20h30, Sport TV1). Siga também o Gil Vicente-Nacional (15h30, Sport TV1), o Alverca-Moreirense (18h, Sport TV1) e o AFS-Arouca (18h, Sport TV6)
⚽ Na Premier League há dérbi de Manchester: United contra o City (12h30, DAZN). Na Serie A, o Inter joga em casa da Udinese (14h, Sport TV2) e na Alemanha o Borussia Dortmund recebe o St. Pauli (14h30, DAZN) e o Bayern Munique joga em casa do RB Leipzig (17h30, DAZN)
🎾 Jogam-se os primeiros pontos do Open da Austrália (0h, Eurosport 1 e 2)

Domingo, 18
⚽ I Liga: Vitória SC-FC Porto (20h30, Sport TV1). Acompanhe também o Santa Clara-Famalicão (15h30, Sport TV1) e o Tondela-SC Braga (18h, Sport TV2)
⚽ Final da Taça das Nações Africanas (19h, Sport TV3)
🤾‍♂️ Euro andebol: Macedónia do Norte-Portugal (17h, RTP2)
🎾 Open da Austrália (0h, Eurosport 1 e 2)

Hoje deu-nos para isto

Desde 2020 que, consecutivamente e com expectativas crescentes, nos habituámos a olhar para janeiro como “aquela altura do ano”. A altura do ano em que a seleção nacional de andebol se propõe a fazer história num qualquer ponto da Europa ou do Mundo, colocando em quadra a sua mescla de influências que, no final, já parece ter criado uma escola própria.

Ancorados no talento geracional dos manos Costa, na liderança de Rui Silva e Salvador Salvador e na experiência de Paulo Jorge Pereira no banco, Portugal terá no Europeu que arranca já na quinta-feira um teste importante: terá sido o 4.º lugar do Mundial de 2025 o prelúdio de algo inédito? De uma medalha, de uma final, se calhar até algo mais? No fim de semana, a preparação terminou com uma vitória sobre a Espanha, em casa alheia, mas sabemos que um Europeu é ainda mais duro e competitivo do que um Mundial e entre os congéneres continentais a margem de erro é ínfima. De qualquer maneira, partir para uma competição destas olhando para o topo é algo que o andebol português nem sequer sonhava há seis anos. Celebremos isso, sem perder a ambição.

Portugal estreia-se frente à Roménia na sexta-feira, às 17h de Lisboa. Antes disso, haverá reportagem da Tribuna Expresso com os Heróis do Mar.

Estamos “naquela altura do ano”: a partir desta semana, Portugal joga o Europeu de andebol. Com cautela, sim, mas também com expectativas reforçadas
Federação Internacional de Andebol

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