Tribuna 12:45

Mourinho no descontrolo madrileno

A duas jornadas do final do campeonato, o Benfica ainda não garantiu pelo menos o segundo lugar
Carlos Rodrigues

Há dias, por motivos óbvios (a saber: o PSG está pelo segundo ano consecutivo na final da Champions e o Real Madrid nada ganhou de relevante nestas mesmas duas temporadas), apareceu-me por aí via-algoritmo um vídeo que juntava dois momentos importantes do documentário da Movistar sobre Luis Enrique, lançado há coisa de um ano.

Num dos momentos, o treinador, numa reunião particular com Kylian Mbappé, ainda no PSG, tentava explicar ao francês, em termos mui ibéricos, que por muito bom jogador que fosse, se não pressionasse os adversários isso ia causar entropia na equipa, dando até o exemplo de Michael Jordan, que Mbappé dizia ter como ídolo. Mais tarde, já se sabendo da saída - acrimoniosa, diga-se -, de Kylian para o Real Madrid, Luis Enrique sublinhava, de maneira até algo psicopata, que sabia que no ano seguinte a equipa ia melhorar: “O facto de haver um jogador que se move por onde quer implica situações de jogo que eu não controlo. No próximo ano vou controlá-las todas. Todas, sem exceção”.

Grrr. Eu disse que era meio psicopata.

Porém, Luis Enrique estava a prever o futuro. Com ele, e com a saída de Neymar, Messi e Mbappé, o PSG deixou de ser um clube de jogadores. E começou a ganhar o que realmente queria ganhar.

Já Mbappé seguiu para a sua casa espiritual, o clube de jogadores original, o Real Madrid. Nas últimas semanas, em Madrid, houve futebolistas enfrentados, outros em confrontos físicos, Valverde no hospital, Mbappé apanhado na Sardenha em plena época, Mbappé a falhar o jogo com o Barcelona - que deu o título aos culés, ainda por cima - e a postar um “Hala Madrid” nas redes sociais quando o clube já perdia por 2-0, enfim, uma casa a arder.

E é para apagar esse fogo que, aparentemente, Florentino Pérez quer de novo Mourinho no Bernabéu.

Como é que é aquela frase? “Tempos desesperados requerem medidas desesperadas”. Para Florentino, chamar Mourinho não lhe soa a desespero, como a quase todos nós. É um regresso ao passado, a alguém que conhece bem e com quem nunca deixou de ter contacto. A experiência com Xabi Alonso e a sua filosofia falhou. Porque o Real Madrid não é um clube de ideias, é um palácio real em que os jogadores têm direitos monárquicos. E os treinadores têm de se adaptar a eles, através de uma qualquer aura de gestor de egos. Foi assim com Del Bosque, lenda do clube. Com Zidane, lenda internacional. E com Ancelotti, que se fez lenda mais pela forma como administra um balneário do que um sistema de jogo.

E é por isso que, neste momento, o Real Madrid, o maior clube do mundo, parece disposto a contratar alguém que há 11 anos não ganha uma liga doméstica e que há 12 temporadas não sabe o que é uma vitória na fase a eliminar da Liga dos Campeões, a competição que é o princípio e o fim para os merengues e que Mourinho não conseguiu conquistar na sua, para já, primeira passagem pelo clube.

Acontece que Mourinho não é um Ancelotti ou um Zidane. Como se nota por esta sua vida no Benfica (e talvez por falta de comparência de outros), o técnico é o centro de um sistema solar, com planetas no seu domínio gravitacional. A sua aura não amancia os egos alheios, potencia-os. Na grande guerra civil instalada (e por si também instigada) com o Barcelona entre 2010 e 2013, Mourinho, quando ganhou, fê-lo pelo desgaste, não pela paz e harmonia. Guardiola saiu a meio do conflito para um ano sabático. E quando Mourinho deixou o Santiago Bernabéu somava desencontros e casos com as maiores figuras do plantel. Não parece servir como receita para disciplinar Mbappé, Vinicius Jr. e Bellingham, pelo menos a longo prazo.

Posto isto, neste processo, está tudo debaixo da porta, sem a fechar ou abrir completamente. José Mourinho garante que não teve contactos com o Real Madrid, lembrando, no entanto, que após o final da época tem 10 dias para botar faladura com quem quiser. Da parte de Rui Costa não há qualquer declaração inequívoca sobre o futuro do treinador, que em tempos da falou da vontade de renovar com os encarnados.

E, assim, também não admira que Mourinho continue a olhar para o lado, ainda esperançado numa qualquer história de redenção em Madrid que parecia coisa de fantasia para quem, nos últimos anos, já começou a experimentar clubes e campeonatos periféricos. O seu regresso seria, por certo, uma média bizarria. Porque quando o assunto é Real Madrid, sabemos bem que não há lugar a tendências ou modas: é um clube com regras muito próprias, feitas de tradição e não propriamente de inovação.

Uff, ainda nem começou o verão e já há novela.

O que se passou

Já campeão nacional, o FC Porto foi surpreendido pelo AVS na I Liga.

Ficou muito perto a final da Liga Europa para o SC Braga, que caiu em Friburgo nas meias-finais.

PSG e Arsenal vão disputar a final da Liga dos Campeões.

Portugal tem dois campeões da Europa: o FC Porto no hóquei em patins e o Sporting no futsal.

Fernando Pimenta não pára de ganhar. E de ganhar.

Thierry Neuville venceu o Rali de Portugal.

A Tribuna Expresso continua a trazer-lhe os Cromos Mundial: de Mark Viduka a John Thomson, passando por Nakata, as cabeleiras de Valderrama e Lalas, até Erik Mykland.

Zona mista

Aos sócios e adeptos deixo uma convicção: desta vez, não terão de esperar mais de 15 anos para voltar a ver o SC Braga numa meia-final europeia

O SC Braga ficou a um passo de repetir 2011. E António Salvador assegurou aos adeptos que acredita que a próxima espera não será tão longa

O que aí vem*

*ainda sem os jogos da última jornada da I Liga porque, enfim, é assim que as coisas funcionam neste país

Segunda-feira, 11
⚽ Dia gordo de I Liga: Benfica-SC Braga (20h15, BTV), Rio Ave-Sporting (20h15, Sport TV1), Estrela-Famalicão (20h15, Sport TV2), Vitória-Casa Pia (20h15, Sport TV3), Tondela-Moreirense (20h15, Sport TV4), Gil Vicente-Arouca (20h15, Sport TV6) e Santa Clara-Nacional (20h15, Sport TV7)
⚽ Premier League: Tottenham-Leeds (20h, DAZN)
🎾 ATP 1000 de Roma (14h, Sport TV2) e WTA 1000 de Roma (19h, DAZN)

Terça-feira, 12
🎾 ATP 1000 de Roma (9h, Sport TV2) e WTA 1000 de Roma (12h, DAZN)
⚽ Dérbi de portugueses na Arábia Saudita e que pode ser decisivo para o título: Al Nassr-Al Hilal (19h, Sport TV1)
⚽ La Liga: Celta de Vigo-Levante (18h, DAZN), Betis-Elche (19h, DAZN) e Osasuna-Atlético Madrid (20h30, DAZN)
🚴 Giro de Itália, etapa 4 (12h30, Eurosport 1)

Quarta-feira, 13
⚽ Final da Taça de Itália: Inter-Lazio (20h, Sport TV1)
⚽ Em Espanha, o Villarreal recebe o Sevilla (18h, DAZN) e o Espanyol o Athletic (18h, DAZN). O Barcelona joga em casa do Alavés (20h30, DAZN)
⚽ Premier League: Manchester City-Crystal Palace (20h, DAZN)
🎾 ATP 1000 de Roma, quartos de final (14h, Sport TV2) e WTA 1000 de Roma (12h, DAZN)
🚴 Giro de Itália, etapa 5 (11h, Eurosport 1)

Quinta-feira, 14
🎾 ATP 1000 de Roma, quartos de final (12h, Sport TV2) e WTA 1000 de Roma (12h, DAZN)
⚽ La Liga: Valencia-Rayo Vallecano (18h, DAZN), Girona-Real Sociedad (19h, DAZN) e Real Madrid-Oviedo (20h30, DAZN)
🚴 Giro de Itália, etapa 6 (12h45, Eurosport 1)

Sexta-feira, 15
⚽ Premier League: Aston Villa-Liverpool (20h, DAZN)
🎾 ATP 1000 de Roma, meias-finais (14h30 e 18h, Sport TV1 e 2) e WTA 1000 de Roma (16h, DAZN)
🚴 Giro de Itália, etapa 7, com a primeira aparição da montanha a sério, com chegada ao Blockhaus (9h45, Eurosport 1)

Sábado, 16
⚽ Final da Taça de Inglaterra: Chelsea-Manchester City (15h, Sport TV2)
⚽ Na Bundesliga, o já campeão Bayern recebe o Colónia e o Union Berlin o Augsburgo (14h30, DAZN)
👟 Atletismo: Diamond League de Xangai (12h, Sport TV6)
🏍️ MotoGP: GP Catalunha, corrida de sprint (14h, Sport TV4)
🚴 Giro de Itália, etapa 8 (12h, Eurosport 1)

Domingo, 17
🎾 ATP 1000 de Roma, final (16h, Sport TV2)
⚽ Ligue 1: Paris FC-Paris Saint-Germain (20h, Sport TV2) e Lyon-Lens (20h, Sport TV3). Em Inglaterra, o Manchester United recebe o Nottingham Forest de Vítor Pereira (12h30, DAZN). Na La Liga, o Barcelona joga com o Betis (18h, DAZN) e o Real Madrid com o Sevilla (18h, DAZN)
🏍️ MotoGP: GP Catalunha, corrida (13h, Sport TV4)
🚴 Giro de Itália, etapa 9 (11h30, Eurosport 1)

Hoje deu-nos para isto

Passei parte do final e fim de semana numa estrada nostálgica pelo Rali de Portugal, pelas recordações de infância (algumas lembrei aqui), por aquilo que a prova significava no meu entorno familiar e por aquilo que o rali se foi tornando, infinitamente menos folclórico mas, claro, mais profissional e seguro para pilotos e adeptos.

Não esperava, por isso, que 2026 trouxesse um cheirinho de anos 80 e 90, com aquela especial de Arganil em que, de repente, assistimos a imagens bizarras de um reboque em pleno troço a fugir à fúria do carro de Elfyn Evans, imprudência repetida um pouco mais tarde com mais um veículo da mesma empresa, o que levou à suspensão dessa especial.

O vídeo tem graça, até deixar de ter. Porque este é aquele tipo de coisas que deixou Portugal, durante alguns anos, sem o Mundial de ralis: a dificuldade em seguir padrões de segurança e organização mais apertados. A coisa ficou-se por uma multa e uma reprimenda, mas convém não baixar a guarda.

Tirando isso, foi mais um belo rali, feito de mudanças constantes de líderes, calor, , frio, chuva, muita gente, tudo em quatro dias. Para o ano há mais, de preferência sem reboques a tentar competir com carros de competição.

Thierry Neuville a voar diante de uma plateia cheia no último dia do Rali de Portugal de 2026
Diogo Cardoso

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