Nos Jogos Paralímpicos 2024, Filipe Marques ficou a uma posição de conquistar uma medalha no triatlo. É uma distância demasiado curta para não remoer nas perdas de tempo marginais que, se eliminadas, podiam ter contribuído para o esvanecer da distância.
O quarto lugar na categoria PTS5 foi mais tarde modificado. Um ano e meio depois, o atleta que se tinha apoderado da prata foi desclassificado. Um teste de doping positivo levou o Comité Paralímpico Internacional a pedir ao brasileiro Ronan Cordeiro a medalha de volta. Assim, a classificação foi ajustada e o português ascendeu ao pódio.
A revisão não foi um motivo suficientemente forte para que se voltasse a organizar uma cerimónia. As memórias definitivas que Filipe Marques guarda de Paris 2024 são de frustração. O atleta do Sporting viu-se privado do momento de aclamação que eterniza os vencedores e os que mais perto deles ficaram.
Este fim de semana, o triatleta de 28 anos conquistou o bronze nos Mundiais de Pontevedra e admitiu que a medalha alcançada na capital francesa foi pouco saboreada. Aliás, ainda não a tem. “Esta emoção é reflexo de muito trabalho. Acho que é a primeira vez que acabo uma prova assim. Diria que foi a mais especial. Claro que nos Jogos foi mais especial, mas eu não vivi isto no dia, vivi mais tarde”, reagiu após concluir a distância sprint em Espanha.
A sensação de vencer é um impulso que não pode ser congelado para usar mais tarde. É quando o corpo ainda tem sinais do esforço que faz sentido usufruir de um festejo que acende zonas de euforia inacessíveis em dias banais. Ganhar é um sentimento de libertação instantâneo, não um registo histórico que certifica uma boa posição na prova.
A integridade é fundamental para preservar a essência de um triunfo.
Existiam 115 acusações contra o clube relacionadas com a violação de regras financeiras da Premier League. O Manchester City foi considerado culpado em 114, segundo o “The Athletic”. Os ingleses ainda pode recorrer e há várias possibilidades quanto às sanções. Os castigos podem passar por multas, dedução de pontos ou exclusão da Premier League. Seria preciso uma medida excecional, mas a perda de títulos também se pode aplicar.
As erráticas ações dos cityzens ocorreram entre 2009/10 e 2022/23. Foi durante esse período que cresceram os dentes ao tubarão. Inflado pelo milhões do Abu Dhabi Group, o clube conquistou 20 títulos nesse interregno e estabeleceu uma era de domínio: ganhou uma vez a Liga dos Campeões, sete a Premier League, três a Taça de Inglaterra, seis a Taça da Liga e três a Supertaça.
A travessia gloriosa do Manchester City não passou de uma ficção. As vantagens indevidas retiraram credibilidade aos feitos e ajudaram a construir uma realidade que favoreceu o vilão. O doping financeiro impulsionou uma era dourada que, afinal, foi apenas uma farsa. Mesmo que se proceda à correção do palmarés, a conduta desonesta impediu outros de celebrarem no calor do momento, como deve ser, e isso é irreparável.
Fazendo revisionismo, a seca de campeonatos do Liverpool podia ter durado apenas 24 anos em vez de 30. O Manchester United podia ter conquistado a Premier League mais três vezes, consagrando-se como a maior potência do século em Inglaterra. Ainda assim, os casos mais lamentáveis são os dos clubes com menor assiduidade na luta por títulos. Em 2010/11, o Manchester City superou o Stoke City na final da Taça de Inglaterra. Do mesmo modo, bateu o Sunderland no jogo decisivo da Taça da Liga 2013/14.
Às vezes, temos motivos para deixarmos de acreditar no desporto enquanto lugar justo. Os fãs de Lance Armstrong, a quem foram retirados sete títulos da Volta a França devido a um escândalo de doping, têm experiência com o desapontamento. Qualquer distorção, seja de que tipo for, afeta a credibilidade. Não é o que desejamos.
O que se passou
Zona mista
“Sonhava ganhar uma etapa do Campeonato do Mundo. Não só ganhei uma, ganhei duas. Sou neste momento campeão”
Vasco Vilaça sagrou-se campeão do mundo de triatlo. O português discutiu ao sprint a superfinal de Pontevedra, na qual terminou na segunda posição ao ser superado pelo australiano Matthew Hauser. De qualquer modo, o quinto posto bastava-lhe para segurar o título.
O que vem aí
Segunda-feira, 28
⚽ Liga das Nações: Bélgica-França (19h45, Sport TV1) e Turquia-Itália (19h45, Sport TV2)
Terça-feira, 29
⚽ CAN, qualificação: Moçambique-Sudão (14h, Sport TV1), Cabo Verde-Ruanda (17h, Sport TV1) e Guiné-Bissau-Nigéria (17h, Sport TV2)
🤾 Liga Europeia: Benfica x Bathco Torrelavega (BTV, 19h45), HC Buzau-Águas Santas (17h45)
⚽ Liga das Nações: Espanha-Croácia (19h45, Sport TV1), Chéquia-Inglaterra (19h45, Sport TV2) e Escócia-Suíça (19h45, Sport TV3)
Quarta-feira, 30
🤾 Liga Europeia: Limoges-Marítimo (19h45)
⚽👩 UEFA Europa Cup: Sporting-Brondby (19h45, Sporting TV) Torreense-FC Kharkiv (20h)
⚽👩 Liga dos Campeões: Benfica-Bayern Munique (20h, RTP2)
Quinta-feira, 1
⚽ Liga das Nações: Dinamarca-Portugal (19h45, RTP1), Alemanha-Sérvia (19h45, Sport TV2), País de Gales-Noruega (19h45, Sport TV3), Grécia-Países Baixos (19h45, Sport TV4)
Sexta-feira, 2
🔫 Campeonato da Europa (15h30, Eurosport 2)
⚽ Liga das Nações: França-Itália (19h45, Sport TV1) e Bélgica-Turquia (19h45, Sport TV2)
Sábado,
🚴 Campeonato da Europa (14h30, Eurosport 1)
⚽ Liga das Nações: Croácia-Inglaterra (17h, Sport TV1), Espanha-Chéquia (19h45, Sport TV1) e Suíça-Eslovénia (19h45, Sport TV3)
Domingo, 4
⚽ Liga das Nações: Portugal-Noruega (19h45, RTP1), Grécia-Alemanha (19h45, Sport TV2), Países Baixos-Sérvia (19h45, Sport TV4)
Hoje deu-nos para isto
Fernando Santos abriu caminho no Mundial 2022 a um processo que se julgava irreversível. O selecionador campeão da Europa reduziu Cristiano Ronaldo à condição de suplente, mas saiu do cargo depois do torneio que decorreu no Catar. Roberto Martínez nunca quis pegar na pasta da redefinição do estatuto do capitão e o caso arrastou-se durante quatro anos.
Jorge Jesus demorou apenas dois jogos a fazer algo que só aconteceu uma vez com Roberto Martínez (e nenhuma com Fernando Santos). Contra a Noruega, Cristiano Ronaldo foi suplente não utilizado por opção técnica. Foi apenas a quarta ocasião em que tal aconteceu no longo percurso do jogador de 41 anos na seleção.
CR7 vinha de uma exibição bizarra frente ao País de Gales. O ponta de lança que sobrevive graças à fama de resolver lances dentro da grande área esteve exuberantemente ineficaz, comiseração que manteve o adversário esperançoso.
Na reação à estreia como selecionador, Jorge Jesus disse que se tivesse lançado Gonçalo Ramos antes dos 67 minutos “podia ficar a perder noutras coisas” (em quê?), mas ganhava um jogador “pressionante a defender”. Parecia tratar-se de uma visão limitada do papel atribuído ao algarvio, visto com algum desdém pelo técnico.
Demonstrando que a subvalorização de Gonçalo Ramos não passou de um dos seus habituais lapsos discursivos, Jorge Jesus lançou o ponta de lança formado no Seixal no onze que defrontou os nórdicos. Portugal fez uma exibição que se aceita para o momento de transição em que se encontra, mas que implicou muito sofrimento.
Gonçalo Ramos vai-se afirmando como máquina de rendimento. Na rara oportunidade para ser titular e num jogo onde não foi servido nos melhores termos, criou a própria utilidade. Acabou por dar a vitória com um momento de pressão que abrilhantou com um chapéu. O sacrifício - pouco notado no concorrente - viu-se no auxílio que deu aos colegas, compensando até os que entraram com motivação nula, caso de Rafael Leão.
O GoalPoint quantifica o esforço de Gonçalo Ramos ao contabilizar o envolvimento do pistoleiro em 19 duelos dos quais ganhou oito, intensidade que lhe valeu três recuperações de bola. Contra o País de Gales, Cristiano Ronaldo participou apenas em três disputas.
Portugal aparenta jogar em inferioridade numérica quando Cristiano Ronaldo está em campo. Com Gonçalo Ramos, passa-se o contrário: a seleção atua com 11 jogadores e, por vezes, parece ter mais um graças à abnegação imprimida pelo jogador do AC Milan. Talvez o pai tenha que estar off mais vezes.
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