Não está grande coisa para os apreciadores da estética e esta semana foi um rombo grande para esse grupo de românticos arraigados, tolos talvez, para quem a arte é tão ou mais importante que um resultado e nem venham com os dados e as estatísticas e a inteligência artificial.
Começou com Lionel Messi a dizer adeus à seleção argentina. Com uma carta escrita à mão, imagine-se, negando a modernidade, ato de profunda afronta ao mundo atual - incrível como um simples papel gatafunhado se tornou numa peça de grande originalidade nesta era de AI slop, em que qualquer prompt num chatbot dá origem à mesma imagem, ao mesmo texto, à mesma falta de individualidade.
Não é o adeus ao futebol, é certo, mas de agora em diante dificilmente haverá jogos históricos para Lionel, aqueles que entram no folclore de uma civilização, que geram histórias, contos, t-shirts estampadas, tatuagens, feriados. Acabaram-se os Mundiais, as Copas Américas, já para não falar de Ligas dos Campeões, onde é que isso já vai. Messi limitar-se-à a fazer reviengas quase de exibição na MLS, entre duas palmeiras ou em qualquer cidade industrial norte-americana, em jeito de turné de despedida, e isto não é qualquer tipo de desmerecimento, apenas a normalidade a acontecer a quem já tem 39 anos e fez tudo o que havia para fazer no futebol. O sol de Miami é um bom sítio para a pré-reforma.
Tal só mudará se, hipoteticamente, Messi ainda quisesse experimentar o futebol argentino, talvez o seu Newell’s Old Boys de Rosario e aí qualquer jogo com River, Boca, principalmente com o arquirrival Rosario Central seria quase uma Champions, assunto para páginas e páginas de jornais, de vox pops nas ruas de Buenos Aires que mais pareceriam um simpósio de filosofia, tema para o ressuscitar do lirismo mais estouvado e os cânticos mais belos vindos dos barras bravas que não dão descanso à goela durante 90 minutos nas bancadas populares.
Mas se fosse para acontecer, talvez já tivesse acontecido. Talvez tudo isso seja demasiado caótico para a mente organizada de Messi. E Messi, como diz aquele menino argentino, Salvi, com o ar mais adulto do mundo, como se estivesse a falar da decisão mais importante da história dos humanos bípedes (e não é?), merece descansar, fez tudo o que era possível e impossível fazer com a bola colada ao pé. Desenhou as mais belas criações e pelo caminho ainda ganhou muito, o que é obra. Mas o tempo não perdoa para as carnes e as articulações até de quem é um artista e a eternidade existe, claro, mas nas nossas memórias.
Se o adeus de Messi era uma inevitabilidade, porque o tempo vive das suas inclemências, outras artes vão desaparecendo e aqui já não por causa do tempo como grandeza física, como medida de duração das coisas, mas o tempo enquanto circunstâncias, estado das coisas, os tempos bobdylianos que estão a-changin’.
O jogo entre Ben Shelton e Stefanos Tsitsipas da 4ª ronda do US Open seria apenas mais um jogo na cadeia de um torneio do Grand Slam se o resultado não tivesse marcado o fim de uma era, um sinal dos tempos, tempo enquanto determinada realidade.
Desde os inícios desses tempos, tenisticamente falando, que em todas as temporadas houve pelo menos um jogador com esquerda a uma mão numa meia-final num dos torneios major, Open da Austrália, Roland-Garros, Wimbledon e US Open. Com a derrota do grego Tsitsipas, essa longa série de 150 anos, que vinha desde 1877, na primeira edição de Wimbledon, terminou. Acabou, finito, puff.
E acabou não porque alguém se reformou, mas porque a modalidade caminha para outros terrenos, onde a força dá mais garantias que o toque de bola, onde a porrada é mais valiosa que a souplesse. Mais do que uma questão do que é inato, vem a estatística: uma esquerda a duas mãos é muito mais eficaz a controlar a bola do que a mais natural pancada a uma mão, mais bela e repentista, graciosa e mágica, também mais imprevisível, para o bem e para o mal. Se Messi fosse tenista, seguramente jogaria com a esquerda a uma mão.
À conta de resultados, retira-se a individualidade e a naturalidade aos atletas. São estes os tempos. No ténis como em outras modalidades. Como disse Roger Federer, mago da esquerda a uma mão, os miúdos já não treinam essa pancada porque praticamente já não há treinadores que a usem. Paulatinamente ela irá desaparecer e com ela uma parte importante da estética no ténis. Isto está mesmo mau para quem ainda procura beleza no desporto.
O que se passou
FC Porto, Benfica e Sporting passaram incólumes pela 5ª jornada da I Liga.
Sessenta anos depois, um italiano voltou a ganhar em Monza: após partir de 19º, Kimi Antonelli foi o primeiro no GP Itália de Fórmula 1.
Volvidos dois anos de domínio, a camisola arco-íris de campeão mundial de ciclismo vai mudar de dono: Tadej Pogačar só volta a competir em 2027, depois da grave queda sofrida na Vuelta. E renovou com a UAE Emirates até 2032.
O Benfica venceu o FC Porto e conquistou a Supertaça feminina.
Zona mista
Um campo horrível para se jogar futebol, estamos em pleno começo de campeonato e não faz bem jogar nestes estádios. Como ganhámos, não soa a desculpa
Para quem vem de anos e anos de Premier League, não deve ser fácil ver baixar tanto o nível de exigência. Marco Silva criticou, e com toda a razão, a qualidade do relvado do Estádio dos Barreiros, mas o Marítimo está longe de ser o único clube a apresentar um terreno quase impraticável neste início de época. Para quem quer vender o seu produto, a imagem não podia ser mais desoladora
O que aí vem
Segunda-feira, 7
⚽ Siga a estreia absoluta de Portugal no Mundial sub-20 feminino, frente à Coreia do Norte (14h, LiveModeTV)
⚽ Na I Liga, Estoril e Arouca fecham a jornada (20h15, Sport TV1)
⚽ Em Itália, joga-se o Udinese-Lazio (19h45, Sport TV2) e na La Liga, o Celta desloca-se a casa do Getafe (18h, DAZN) e Elche recebe a Real Sociedad (20h30, DAZN)
🎾 Siga mais uma jornada do US Open (16h, Eurosport)
Terça-feira, 8
⚽ Está de regresso 🎶 THE CHAAAAAAAPIONS 🎶 para a edição 20216/17. O FC Porto é a primeira equipa portuguesa a jogar, frente ao Manchester City (20h, Sport TV5). O Real Madrid-Inter (20h, DAZN1) e o Borussia Dortmund-Villarreal (20h, DAZN2) são outros dos pratos fortes da jornada.
🚴 Vuelta, etapa 16 (13h45, Eurosport 1)
🎾 US Open (16h, Eurosport)
Quarta-feira, 9
⚽ É a vez do Sporting se estrear na Liga dos Campeões, a receber o Galatasaray (20h, Sport TV5). Acompanhe ainda o Barcelona-Feyenoord (17h45, DAZN1), o Liverpool-Atlético Madrid (20h, DAZN1) ou o Nápoles-Arsenal (20h, DAZN3)
⚽ Em jogo em atraso da jornada 3 da I Liga, o Benfica joga em casa do Moreirense (20h45, TVI)
🤾 No arranque da Liga dos Campeões de andebol, o FC Porto joga no pavilhão do Veszprém (17h45, Porto Canal)
🚴 Vuelta, etapa 17 (13h45, Eurosport 1)
🎾 US Open, quartos de final (16h, Eurosport)
Quinta-feira, 10
⚽ No Mundial sub-20, a seleção feminina joga com a Colômbia (17h, LiveModeTV)
⚽ Ainda na jornada inicial da Champions, a Roma joga em casa do Fenerbahçe (17h45, DAZN1), o Manchester United recebe o Sabah (20h, DAZN1), o Bayern Munique joga com o Bodo/Glimt (20h, DAZN2) e o Como estreia-se frente ao RB Leipzig (20h, DAZN3)
⚽ Em novo jogo em atraso da ronda 3 da I Liga, o Estrela da Amadora recebe o SC Braga (20h15, Sport TV1)
🤾 O Sporting estreia-se na Liga dos Campeões de andebol com o GOG (19h45, Sporting TV)
🚴 Vuelta, etapa 18 (13h45, Eurosport 1)
🎾 US Open, meias-finais femininas (17h, Eurosport)
Sexta-feira, 11
⚽ Em Itália, a Fiorentina, de Pote, joga com o Veneza (19h45, Sport TV2) e na Ligue 1 o Rennes recebe o Marselha (19h45, Sport TV3)
⚽ Na 1.ª jornada da Liga Placard de futsal, o Sporting recebe o Portimonense (21h15, 11)
🚴 Vuelta, etapa 19 (12h15, Eurosport 1)
🎾 US Open, meias-finais masculinas (19h30, Eurosport)
Sábado, 12
⚽ Na jornada 6 da I Liga, o FC Porto joga com o Casa Pia (18h, Sport TV1). Veja ainda o Nacional-Alverca (15h30, Sport TV2) e o Académico-Vitória (20h30, Sport TV2).
⚽ Arranca a Liga BPI com o Valadares Gaia-FC Porto (17h, 11) e o Benfica-Racing Power (20h30, 11)
⚽ Na Serie A, o AC Milan, de Ruben Amorim, joga em casa da Lazio (17h, Sport TV3) e em França o Lyon, de Paulo Fonseca viaja até ao terreno do Paris FC (19h45, Sport TV5). Na Premier League, o Liverpool recebe o Fulham (15h, DAZN) e o Arsenal joga em Sunderland (20h, DAZN)
🎾 US Open, final feminina (21h, Eurosport 1)
🚴 Vuelta, etapa 20 (11h15, Eurosport 1)
⚽ O Benfica recebe o UPVN na 1.ª jornada da Liga Placard de futsal (19h, 11)
🏁 F1: na estreia do novo circuito de Madrid, siga a qualificação do GP Espanha (15h, DAZN)
Domingo, 13
⚽ A seleção nacional sub-20 feminina fecha a fase de grupos do Mundial frente à Costa Rica (17h, LiveModeTV)
⚽ Na I Liga, o Benfica recebe o Gil Vicente (18h, BTV) e Sporting joga em casa do Famalicão (20h30, Sport TV1). Siga ainda o Arouca-Santa Clara (18h, Sport TV2)
⚽ Na Premier League há dérbi de Manchester: United-City (16h30, DAZN)
🎾 US Open, final masculina (19h, Eurosport 1)
🚴 Vuelta, última etapa (15h, Eurosport 1)
🏁 F1: GP Espanha, corrida (14h, DAZN)
Hoje deu-nos para isto
Miguel Delaney, jornalista do britânico “The Independent” chama-lhe “late-stage Premier League”, uma brincadeira com o conceito de “late-stage capitalism”, o capitalismo tardio onde tudo é mercantilizado, levado ao extremo do negócio.
Na janela de transferências que acabou de fechar, os clubes da Premier League, num abrir de bolsas que vai desde os big six aos clubes que acabaram de subir, gastaram 4,12 mil milhões de euros em aquisições, o que não é só um valor estratosférico em termos genéricos, é possível dissecá-lo em termos comparativos: a liga inglesa gastou mais em transferências do que as restantes big 5 somadas.
Esta temporada, mais do que nunca, o dinheiro inglês retroalimentou-se: seria impossível que um jogador como Elliot Anderson custasse €125 milhões ao City se não viesse de um clube do mesmo ecossistema. E com esse valor como referência, Enzo Fernández nunca poderia custar menos aos citizens. O fosso é cada vez maior.
O que deve preocupar não só quem deseja uma certa competitividade entre ligas, mas também quem não gostaria de ver todo um sistema a rebentar. O mesmo Miguel Delaney sublinha que a liquidez não é algo que grasse na Premier League e que boa parte dos negócios dos clubes ingleses se fez com recurso a crédito. A bolha está a crescer, tal como na crise do subprime. E sabemos bem como é que isso terminou.
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