Entre equipas técnicas espartilhadas porque Marco Rubio acha que o assessor de imprensa do Irão pode ser um perigoso terrorista, um árbitro somali impedido de entrar nos Estados Unidos porque Marco Rubio acredita que está ali um perigoso terrorista, algumas goleadas já esperadas, empates inesperados e outros que parecem surpresa mas não foram tanto assim por parte de pessoas que, felizmente, Marco Rubio não considera que possam ser perigosos terroristas, o Mundial 2026 arrancou na quinta-feira mas já parece largo, muito largo, tão largo quanto as hydration breaks em estádios com clima controlado, que têm servido para os broadcasters encaixarem mais uns minutos de publicidade principescamente paga e os treinadores fazerem ajustes antes impossíveis.
Bem-vindos à América, a terra das oportunidades, não é?
Segue incessante este Mundial, como um comboio não gentilmente a entrar por entre a madrugada adentro para nós, pessoas em GMT-mais-um. Parece que já aconteceu tanta coisa e Portugal ainda nem se estreou, não está fácil sequer trabalhar à conta das praias cheias da Flórida e das tempestades que têm alterado, e até impedido, treinos e conferências de imprensa. Bem-vindos aos Estados Unidos, esse país de excessos, até meteorológicos.
Pois muito bem, Portugal estreia-se na quarta-feira (18h, na SIC em canal aberto) frente à República Democrática do Congo, equipa dura, física, com linhas bem definidas e que defende bem, portanto, aquele tipo de equipas frente a quem a seleção nacional tem tido problemas mais sérios nos últimos anos.
Cristiano Ronaldo perguntou à partida para os States se os jornalistas não têm visto os jogos e precisamente por terem visto é que há motivos para, pelo menos, deixar algum espaço à desconfiança.
Coisa quase certa é que, nesse dia, Cristiano vai tornar-se no jogador de campo mais velho deste Mundial e num dos poucos futebolistas a jogar em seis Campeonatos do Mundo, até se pode tornar no único a marcar em seis Mundiais seguidos, mas recordes pessoais valem pouco (bem, digo eu, sei lá) quando não há uma apoteose coletiva. E Portugal tem, como nunca, condições para lá chegar. Há expectativa cá e lá fora.
Da nossa parte, acompanharemos tudo o que for mais importante deste Mundial. Basta clicar aqui. O nosso Diogo Pombo estará, para já, por entre terras texanas e Miami a dar-lhe o melhor de um país onde, de acordo com uma sondagem do Pew Research Centre, mais de 60% das pessoas não está nem aí para o Mundial. Não há Prémio da Paz inventado à pressão ou subserviência a Trump que crie uma cultura, mas que pelo menos o futebol sirva para certas pessoas deixarem de se preocupar com as diferenças e, simplesmente, abraçarem-nas.
Quiçá aos ombros de alguém.
O que se passou
Acabou finalmente a novela: Marco Silva foi confirmado como novo treinador do Benfica e José Mourinho segue para o Real Madrid. Na apresentação, Marco Silva assumiu estar perante “o maior desafio” da carreira.
O FC Porto é campeão nacional de basquetebol pela primeira vez em 10 anos.
Em Montemor-o-Velho, Portugal conquistou quatro medalhas nos Europeus de canoagem.
Zona mista
Aos fãs, obrigado por continuarem a lembrarem-me quem eu sou
Durante quase dois anos Lewis Hamilton pode ter parecido irreconhecível, mas a capacidade para vencer ainda lá está. Aos 41 anos, o britânico ganhou a sua 106ª corrida na Fórmula 1, uma das mais saborosas por ser a primeira com a Ferrari. Em Barcelona, disse, cumpriu “um sonho”
O que aí vem
Segunda-feira, 15
⚽ Mundial 2026: a estreia de Cabo Verde, frente a Espanha (17h, Sport TV1). Veja também o Bélgica-Egito (20h, Sport TV5), Arábia Saudita-Uruguai (23h, Sport TV5) e Irão-Nova Zelândia (2h, Sport TV5)
🎾 ATP 500 de Halle (14h30, Sport TV2) e ATP 500 Queens (13h30, Sport TV3) e WTA 500 de Berlim (14h30, DAZN)
Terça-feira, 16
⚽ Mundial 2026: França-Senegal (20h, RTP1 e Sport TV1), Iraque-Noruega (23h, Sport TV5) e um Argentina-Argélia já mais pela noite dentro (2h, Sport TV5)
🎾 ATP 500 de Halle (10h30, Sport TV2) e ATP 500 Queens (11h30, Sport TV3) e WTA 500 de Berlim (10h, DAZN)
Quarta-feira, 17
⚽ É o dia de estreia de Portugal no Mundial 2026, frente à RD Congo (18h, SIC/Sport TV1). Se tiver vontade de acordar de madrugada, há um Áustria-Jordânia bem cedo (5h, Sport TV5) e depois da seleção nacional há Inglaterra-Croácia (21h, Sport TV5), Gana-Panamá (0h, Sport TV5) e, já bem tarde, o Usbequistão-Colômbia (3h, Sport TV5)
🎾 ATP 500 de Halle (10h30, Sport TV2) e ATP 500 Queens (11h30, Sport TV3) e WTA 500 de Berlim (10h, DAZN)
🏒 Hóquei em patins, jogo 2 da final: Sporting-Benfica (20h, DAZN)
Quinta-feira, 18
⚽ Arranca a 2.ª jornada da fase de grupos do Mundial 2026: Chéquia-África do Sul (17h, Sport TV5), Suíça-Bósnia (20h, RTP1/Sport TV1), Canadá-Catar (23h, Sport TV5). Já madrugada dentro siga o México-Coreia do Sul (2h, Sport TV5)
🎾 ATP 500 de Halle (10h30, Sport TV2) e ATP 500 Queens (11h30, Sport TV3) e WTA 500 de Berlim (10h, DAZN)
Sexta-feira, 19
⚽ Mundial 2026: Estados Unidos-Austrália (20h, Sport TV5), Escócia-Marrocos (23h, Sport TV5). Mais tarde veja o Brasil-Haiti (1h30, Sport TV1) e Turquia-Paraguai (4h, Sport TV5)
🎾 ATP 500 de Halle (10h30, Sport TV2) e ATP 500 Queens (11h30, Sport TV3) e WTA 500 de Berlim (10h, DAZN)
Sábado, 20
⚽ Mundial 2026: Países Baixos-Suécia (18h, Sport TV5) e Alemanha-Costa do Marfim (21h, TVI/Sport TV1). De madrugada veja o Equador-Curaçau (1h, Sport TV5)
🎾 Meias-finais do ATP 500 de Halle (14, Sport TV2) e ATP 500 Queens (15h, Sport TV3) e WTA 500 de Berlim (10h30, DAZN)
🏒 Hóquei em patins, jogo 3 da final: Sporting-Benfica (14h30, DAZN)
Domingo, 21
⚽ Mundial 2026: se a ideia é madrugar, há Tunísia-Japão bem cedo (5h, Sport TV5). Siga ainda o Espanha-Arábia Saudita (17h, Sport TV1), Bélgica-Irão (20h, Sport TV5) e Uruguai-Cabo Verde (23h, Sport TV5). O Nova Zelândia-Egito arranca já pela noite dentro (2h, Sport TV5)
🎾 Final do ATP 500 de Queens (13h30, Sport TV1) e ATP 500 Queens (14h30, Sport TV4) e WTA 500 de Berlim (11h, DAZN)
Hoje deu-nos para isto
O Expresso e o New York Times têm, desde há algum tempo, uma parceria que nos dá a oportunidade de, por exemplo, reproduzir em português alguns dos conteúdos de um dos maiores jornais norte-americanos. Essa parceria tornou-se, aqui na Tribuna, particularmente interessante este fim de semana, quando os New York Knicks conquistaram o título da NBA, pela primeira vez em 53 anos.
Porque talvez só um nova-iorquino, ou alguém adoptado por Nova Iorque, consiga colocar nos exatos termos o que é ser adepto dos Knicks, algo que só os mais velhos se recordarão não ser um conjunto de desilusões, de projetos falhados, de chacota até. Uma equipa que junta intelectuais, estrelas de cinema e operários, nova-iorquinos das mais diversas origens, a única equipa dos grandes desportos norte-americanos que une verdadeiramente quem nasceu, cresceu e vive na cidade - os Nets estão do outro lado do Rio East, mas não passam de um enxerto hipster e mal amanhado de equipa, sem grande implementação nas bases populares de NYC.
É por isso que, uma cidade tão habituada a sair à rua nas tragédias, foi caótica, bela, louca, desordenada, mas também cheia de coração na hora de festejar um título inesperado, mesmo que os Knicks até surgissem nas casas de apostas entre os candidatos logo no início da temporada. Mas entre o que as odds dizem e os desencantos de décadas vai um lastro de descrença que, na verdade, nunca fez esmorecer o apoio maluco em torno do Madison Square Garden. E, finalmente, uma série de gerações da maior cidade dos Estados Unidos conheceu o inebriante sabor do triunfo.
O Mundial já está aí a todo o vapor. Diariamente, terá no site da Tribuna Expresso análises, histórias, crónicas de jogos, tudo para ter a melhor informação sobre o que suceder do lado de lá do Atlântico. Siga-nos também no Facebook e Instagram.
O podcast “No Princípio Era a Bola”, com Tomás da Cunha e Rui Malheiro, agora é diário, com episódios dedicados ao Campeonato do Mundo.
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