Tribuna 12:45

Rodrigo Mora não é um jogador à FC Porto, especialmente se o FC Porto for o de Farioli

Rodrigo Mora não jogou na visita do FC Porto a Vila do Conde
Diogo Cardoso

Cada humano tem a sua essência. Enquanto membros da espécie, Rodrigo Mora e Francesco Farioli são portadores da sua. Esse conjunto de características que distinguem os indivíduos é, a um nível primário, suficiente para filtrar relações. Quem não tinha percebido está a perceber agora que o convívio entre os dois foi congenitamente forçado.

Farioli tem uma identidade translúcida enquanto treinador. Antes de exibir outras qualidades, que também as tem, o FC Porto é uma equipa constituída por pulmões com pernas. O italiano não aceita nada em troca da voltagem. O título conquistado na época passada iliba-o da pouca ambição estética.

Rodrigo Mora é o antónimo de Farioli. Os floreados são bem-vindos e criam uma fé de que há algo prestes a acontecer que talvez nunca tenhamos visto. No fundo, é o que nos mantém apegados ao futebol na era em que os robôs tomam cada vez mais conta dele. Jogadores como o jovem da tigela fulva são o antídoto, não o vírus.

O FC Porto fotocopiou-se para a nova temporada e o estatuto de Mora no plantel permaneceu imutável. Resta-lhe pouco mais do que ser a sombra de Gabri Veiga, papel secundário que desempenhou igualmente ao longo de 44 jogos em 2025/26 e que pouco contribuiu para o seu crescimento.

Assim, ninguém pode julgar Mora por procurar uma saída. O esforço que fez por uma ligação condenada ao insucesso é algo para o qual outros, por imaturidade ou mal aconselhados, não teriam tanta paciência. Nesta encruzilhada, há dois direitos que se sobrepõem. Mora deve poder procurar um lugar seguro para soltar o génio e Farioli está mais do que credibilizado para repetir a fórmula que o levou a ser campeão.

Possivelmente, o FC Porto vai fazer um encaixe mais reduzido do que faria quando Mora deu alguma dignidade à passagem de Martín Anselmi por Portugal. Ainda assim, diz-se que os azuis e brancos estão a exigir €50 milhões à AS Roma para libertarem o médio. Quem zela pelo sucesso da fragrância daqueles pés só torce para que o perfume não acabe num desterro no Médio Oriente, tal como, no passado, chegou a ser hipótese.

Para Farioli, tudo isto não passa de “ruído”. O treinador acha “absolutamente normal” o surgimento de rumores. A situação, considera, “exige profissionalismo”, algo que identifica em Rodrigo Mora. “É novo, mas tem muita experiência e ombros largos para lidar com este barulho.”

A gestão da técnica à disposição, qualidade que falta aos dragões injetarem no seu jogo para elevarem o nível, cria um rasto de más indicações para quem se segue. Imaginemos o que Mateus Mide, melhor jogador do Mundial sub-17, em 2025, está a pensar. De certeza que não será num futuro no FC Porto.

Rodrigo Mora não tem os dentes afiados para ser o protótipo de jogador à FC Porto, muito menos se esse for o musculado FC Porto de Farioli. As naturezas de ambos são incompatíveis. Percebendo-se a teimosia do treinador, o futebol está condenado quando não se arranja um cantinho para um jogador como este. Um duro golpe para quem acredita em magia.

O que se passou

Zona mista

“Somos todas muito boas e é sempre por muito pouco. Desta vez, caiu para mim”

A medalha de bronze nos Mundiais de pista coberta, em 2025, apresentou Patrícia Silva como uma corredora de 800 metros. Desde aí, a aposta tem sido outra: os 1500 metros. Foi nessa distância que, nos Europeus de Birmingham, voltou a subir ao pódio. Ao longo da prova, enquanto Salomé Afonso encabeçava o grupo, a atleta do Sporting escondeu-se para apostar tudo na reta final e voltar a tocar num metal precioso. Depois de Pichardo (prata, triplo salto) e de Fatoumata Diallo (bronze, 400 metros barreiras), a atleta de 26 anos foi a última medalhada de Portugal na competição.

O que vem aí

Segunda-feira, 17
⚽ I Liga: Casa Pia-Benfica (20h15, Sport TV1)

Terça-feira, 18
🎾 Masters 1000, Cincinnati: Jaime Faria-Adam Walton (Sport TV3)

Quarta-feira, 19
🚴 Renewi Tour: etapa 1 (14h30, Eurosport1)

Quinta-feira, 20
🚴 Renewi Tour: etapa 2 (14h30, Eurosport1)
⚽ Play-off Liga Europa: SC Braga-Áustria Viena (20h, Sport TV5) e Benfica-Aarhus (20h, SIC)

Sexta-feira, 21
🚴 Renewi Tour: etapa 3 (14h15, Eurosport1)
⚽ Premier League: Arsenal-Coventry (20h, DAZN1)

Sábado, 22
🚴 Volta a Espanha: etapa 1 (15h, Eurosport 1)
⚽ Supertaça Alemã: Borussia Dortmund-Bayern Munique (19h30, DAZN2)
⚽ I Liga: Sporting-Alverca (20h30, Sport TV1)
⚽ La Liga: Espanhol-Real Madrid (20h30, DAZN1)

Domingo, 23
🚴 Volta a Espanha: etapa 2 (15h, Eurosport 1)
⚽ Premier League: Manchester City-Bournmouth (14h, DAZN1) e Newcastle-Liverpool (16h30, DAZN1)
⚽ La Liga: Atlético Madrid-Villarreal (16h, DAZN2) e Elche-Barcelona (20h30, DAZN1)
⚽ Serie A: Torino-AC Milan (19h45, Sport TV3)
⚽ I Liga: FC Porto-Arouca (20h30, Sport TV1)
🎾 Masters 1000, Cincinnati: final (21h30, Sport TV7)

Hoje deu-nos para isto

Finlay Tarling estava a participar pela primeira vez na Volta a Portugal
NurPhoto

Um ciclista não tem uma carapaça feita com chapas de metal. Está à mercê da proteção concedida pela licra, que não é lá grande escudo. Sempre que encaixa os pés nos pedais aceita assumir a vulnerabilidade de uma cria na selva. Ignora a frágil condição como se a tragédia não estivesse iminente. Entrega-se de braços abertos a um dia em que pode acabar sem feridas, com uns arranhões, na cama de um hospital ou sem vida. A morte de Finlay Tarling lembrou-nos disso.

Há um fumo negro que consome qualquer colorida avaliação que pudesse ser feita da Volta a Portugal. A 87ª edição cruzou cenários cinematográficos que embelezaram as etapas, mas nada é mais ignominioso para a reputação de uma prova do que o fenecer de um corredor. A ambição de subir de nível já era, devido a vários fatores, desmedida. Tendo em conta a fatalidade, será necessário uma intensa manobra de relações públicas para limpar a imagem de país do Terceiro Mundo.

Uma “conjugação de fatores”, concluiu a GNR, levou ao desfecho. Sem que ninguém lhe desse informação em contrário, um condutor entrou no circuito da prova e um jovem de 19 anos cuja vida devia ter continuado por muito tempo foi vítima do injusto embate entre a sua vulnerabilidade e a espartana carroçaria de um automóvel. É “humanamente impossível” colocar um militar da GNR em cada acesso ao percurso de uma etapa e “aquilo que estava planeado fazer foi feito”. Então é suposto aceitar com naturalidade o desastre?

A andrajosa alma do pelotão seguiu até aos Aliados. Rui Oliveira conquistou a primeira vitória como profissional, objetivo que procurava desde a etapa 1. A camisola amarela ficou para Alexis Guérin. Já o trauma foi coletivo. O que aconteceu com Finlay Tarling podia ter acontecido com qualquer um.

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