Em 23 anos, só pessoas num estado de modorra permanente são possuidoras de justificação para não terem visto LeBron James jogar. Todos os outros, num momento ou noutro, terão notado que este planeta foi invadido por um génio.
Nunca nenhum outro jogador da NBA esticou tanto a carreira, longevidade que constitui uma multiplicidade de hipóteses para fazer o que outros não fizeram. Este fim de semana, LeBron James tornou-se no basquetebolista com mais jogos realizados na liga norte-americana, ultrapassando Robert Parish. Chegou ao pavilhão, aqueceu, atuou durante 48 minutos, deu entrevistas, tomou banho e regressou a casa 1612 vezes. Foram 1612 oportunidades de testemunhar a grandeza de alguém que se manteve leal à rotina por amor ao jogo.
LeBron arrendou o andar de cima das listas de jogadores com mais minutos (60.710), pontos (43.241), eleições para o All-Star (22) e presenças nas All-NBA Teams (21). A duração da sua existência esplendorosa tem sido bem aproveitada. Tantas foram as vezes que o casmurro do universo nos pôs diante de LeBron que a exposição à sua excelência tornou-se uma inevitabilidade, como se fosse algo do qual não podemos viver privados. Entrámos numa fase em que esse privilégio já não está garantido.
Os planos para a reforma, se existem, não são conhecidos. No início da temporada, LeBron James manipulou os interessados em saber o prazo de validade da sua carreira lançando um vídeo onde dava a entender que se ia retirar no final da época. Na verdade, era apenas uma campanha publicitária. Apesar da jogada de marketing, preparou os corações para as emoções que estes vão sentir quando o abandono se concretizar. Se deixa as quadras no final da temporada quando terminar contrato, se continua na Califórnia ou se vai até Cleveland fazer mais um ano no sítio onde tudo começou, o corpo dirá.
Assumindo um papel secundário, LeBron James está a jogar exatamente como é suposto um quarentão jogar e entregou o comando dos Lakers a Luka Dončić. A equipa de Los Angeles está a fazer um final de fase regular relevante e encontra-se numa sequência de nove vitórias consecutivas. Nesse ciclo, o monstro esloveno tornou-se no primeiro jogador a marcar mais de 30 pontos (num dos encontros até chegou aos 60) em nove partidas consecutivas ao mesmo tempo que assegurava vitórias em todas elas.
Só aos 41 anos apareceram os verdadeiros sinais da passagem do tempo num corpo cuidado com a obsessão de quem sempre investiu milhões na manutenção da ferramenta de trabalho. Ainda assim, vale 21,1 pontos por jogo, o pior contributo da carreira, exceto a época de rookie, em 2003/04. Além de Luka Dončić (33,4), também Austin Reaves (23,5) o supera neste aspeto. Quanto ao usage rating – estatística que mede a percentagem de lances em que um jogador é envolvido – Lebron (27,2%) é o segundo na hierarquia. Com os playoffs a terem início a 18 de abril, o longevo basquetebolista está mais do que apto a contribuir durante a campanha dos atuais terceiros classificados da Conferência Oeste mesmo que esteja mais do que nunca a delegar funções.
O LeBron James que apreciamos está diferente, embora tenha preservado laivos daquilo que sempre foi. Ocupa o trono há 1612 jogos e, aparentemente, quem lhe deu a alcunha de King sabia que até ao final dos dias ia usar a coroa, guiando-se por padrões de excelência. Por se equiparar aos reis, recetores do poder que a vontade divina lhes concedeu, deixa o legado de um atleta de culto.
O que se passou
Zona mista
“Eu tenho dito repetidamente: ‘Portugal tem dos melhores atletas do mundo.' Isto é surpresa para mim? Não. Porque os melhores estão aqui para isto.”
O presidente da Federação Portuguesa de Atletismo, Domingos Castro, regozijou-se com os resultados de Portugal nos Mundiais de pista curta. O último dia da competição realizada em Torún, na Polónia, reservou três medalhas para a comitiva nacional. Nesta competição, apenas cinco países conquistaram dois ou mais ouros: Portugal, Ucrânia, Itália, Reino Unidos e Estados Unidos. Surpreendentemente, Portugal fez a dobradinha no salto em comprimento. Agate de Sousa e Gerson Baldé alcançaram o título, sendo que, no masculino, o atleta do Sporting obteve a melhor marca mundial do ano (8,46 metros). Isaac Nader procurava repetir um logro que já tinha obtido ao ar livre, mas ficou-se pela prata nos 1500 metros.
O que vem aí
Segunda-feira, 23
🚴 Volta à Catalunha: etapa 1 (14h20, Eurosport 2)
Terça-feira, 24
🚴 Volta à Catalunha: etapa 2 (14h20, Eurosport 2)
Quarta-feira, 25
🚴 Volta à Catalunha: etapa 3 (14h20, Eurosport 2)NBA: Boston Celtics-OKC Thunder (23h30, Sport TV1)
Quinta-feira, 26
🚴 Volta à Catalunha: etapa 4 (14h20, Eurosport 2)
⚽ Playoff de acesso ao Mundial: Turquia-Roménia (17h, Sport TV1), Itália-Irlanda do Norte (19h45, Sport TV2), Ucrânia-Suécia (19h45, Sport TV3), Chéquia-Rep. Irlanda (19h45, Sport TV4), País de Gales-Bósnia (19h45, Sport TV5) e Dinamarca-Macedónia do Norte (19h45, Sport TV6)
Liga dos Campeões de hóquei em patins: Benfica-Oliveirense (18h30, BTV), Hóquei Bassano-Sporting (19h45, Sporting TV) e Réus-FC Porto (20h, Porto Canal)
⚽ Amigáveis de seleções: Brasil-França (20h, Sport TV1)
Sexta-feira, 27
🚴 Volta à Catalunha: etapa 5 (14h20, Eurosport 2)
⚽ Amigáveis de seleções: Inglaterra-Uruguai (19h45, Sport TV1), Suíça-Alemanha (19h45, Sport TV2), Espanha-Sérvia (20h, Sport TV3) e Países Baixos-Noruega (19h45, Sport TV5)
NBA: Boston Celtics-Atlanta Hawks (23h30, Sport TV1)
Sábado, 28
🚴 Volta à Catalunha: etapa 6 (14h20, Eurosport 2)
🤾 Andebol: FC Porto-Sporting (18h, Sporting TV/Porto Canal)
🏍️ Moto GP: corrida sprint Grande Prémio dos Estados Unidos (20h, Sport TV4)
Domingo, 29
⚽ Amigáveis de seleções: México-Portugal (2h, Sport TV1) e França-Colômbia (20h, Sport TV1)
🚴 Volta à Catalunha: etapa 7 (14h20, Eurosport 2)
🎾 Miami Open: final (20h Sport TV2)
🏍️ Moto GP: corrida principal Grande Prémio dos Estados Unidos (21h, Sport TV4)
Hoje deu-nos para isto
Tadej Pogačar está mais perto de concluir o bingo monumental. O esloveno ganhou a Milão-Sanremo e almeja ser incluído entre os ciclistas que ganharam as cinco principais clássicas. Até agora, só três belgas o conseguiram: Eddy Merckx, Rick Van Looy e Roger de Vlameminck.
A Classicissima só por si não é a corrida que melhor se ajusta ao campeão do mundo, que esperava dar uso ao taticismo para atenuar a diferença face a corredores de perfil mais apropriado. Por momentos, os planos pareciam ter ido por estrada abaixo. Perto da Cipresa, a fase empinada do percurso em que se selecionam os candidatos à vitória, Pogačar caiu. Com o pára-choques de licra danificado, recuperou terreno a tempo da equipa pôr em prática a estratégia.
Mathieu van der Poel e Thomas Pidcock sobreviveram à investida. Era exatamente o tipo de gente explosiva com quem Pogačar não queria estar metido. O neerlandês, vencedor em 2023 e 2025 que também esteve envolvido no acidente, cedeu antes de poder aplicar a mudança de velocidade. O britânico não se descolou antes do sprint final, em que Pogačar foi mais forte.
De tanto ganhar, nem sempre o vemos comemorar de maneira efusiva. Sobriedade foi o contrário do que mostrou ao cruzar a meta. Tadej Pogačar conseguiu um objetivo de carreira, um requisito que não era do seu agrado, a categoria que fica para o fim no quiz por ser a que menos dominamos. A custo - mais propriamente à sexta tentativa - o canibal conseguiu um novo feito.
“Se voltar à Milão-Sanremo é só para comer focaccia”, admitiu o aliviado Pogačar. Após um triunfo na Milão-Sanremo, dois na Volta à Flandres, três na Liège-Bastogne-Liège e cinco na Volta à Lombardia, só lhe falta arrebatar o Paris-Roubaix.
Tenha uma boa semana e obrigado por nos ler aqui e no site da Tribuna Expresso, onde poderá seguir a atualidade desportiva e as nossas entrevistas, perfis e análises. Siga-nos também no Facebook, Instagram e no X. Se quiser, escute também o nosso podcast “No Princípio Era a Bola”, no qual tentamos descomplicar o futebol com o Tomás da Cunha e o Rui Malheiro.
Tem alguma questão? Envie um email ao jornalista: fsmartins@expresso.impresa.pt
